domingo, 25 de dezembro de 2011

Adeus, 2011.

Agora que o ano chega ao fim, é, inevitavelmente, momento de olhar por cima do ombro e tentar perceber o que foi isto. E a coisa é bastante simples: foi uma verdadeira merda. Mesmo. Do piorzinho que já vi. Salva-se um único momento no início do ano, especial e gravado para a vida. Fora isso, era pegar nestes últimos meses, fazer uma bela bola de papel amarrotado e atirá-la para bem longe, onde já não fizesse doer.
Foi, sem dúvida, um ano de lições. Aprendi, espero que de uma vez por todas, que de facto não perdemos amigos. Há pessoas que saem da nossa vida, tal como nós deixamos o caminho de outras tantas, e se isso acontece é porque simplesmente não é amizade. Não é bonito de se dizer mas não há como tornar isto fofinho. Os amigos tentam não falhar e, caso falhem, pedem desculpa depois. Ponto final.

A outra grande aprendizagem do ano já é bem conhecida por aqui. Eu já desconfiava, pois sim, mas a vida achou por bem mostrar-me com força que não podemos tomar nada por adquirido. Nada. Nem objectos, nem o dinheiro ao final do mês, e muito menos pessoas. Foi o momento de perceber que quase nunca a vida acontece como a planeamos e que os sonhos (ou projectos, chamem-lhe o que quiserem) são apenas isso... Sonhos. Que não acontecem. O meu coração foi despedaçado, não sem a minha parte de culpa, e não voltará a ser o mesmo. Já não o é. Há pedacinhos que se perderam para a eternidade e está bom de se ver que o conserto vai ser um tanto ou quanto moroso. Se houver conserto.

Mas 2011 não se ficou por aqui. Foi também tempo de abrir os olhos e entender que o sonho de menina começa a ficar esquecido, como que enterrado nesta areia movediça que tem sido o meu caminho. Ficam para trás os esforços, os estudos, o trabalho e dedicação de alguns anos em que, sinceramente, acreditei que merecia fazer o que gosto. Provavelmente não mereço. Mas não baixei a guarda. Até isso ganhei... Força para fazer coisas que, há uns anos, seriam impensáveis. Servir às mesas não me faz feliz mas também já não procuro isso...

Ainda assim, no meio de tanta coisa negativa, há sempre algo bom. Conheci pessoas maravilhosas que me deram a mão quando os que o deviam ter feito me falharam. Ninguém ocupa o lugar de ninguém mas há, sem dúvida, quem faça a diferença. Estou numa fase nova, com novas pessoas, algumas que nunca imaginei que pudessem entrar no meu mundo. Continuo a perguntar-me que mal fiz eu para não ter o meu lugar ao sol mas, enquanto a resposta não chega e mesmo que as lágrimas teimem em cair, espero por algo que me faça acreditar que valeu a pena.

[A parte privada] São seis meses em modo 'sem ti', talvez os mais demorados que já vivi. Ainda há muito de ti em mim, vai haver sempre. Não há um dia que eu não pense ligar-te, mas em quase nenhum o faço. Nunca corri atrás e agora não será diferente. Sei que vais ser sempre tu - tu também sabes - mas a vida não se desenha como queremos. Mudava muita coisa, passava por tudo outra vez, mas tenho consciência que não é isso que está em causa. A ferida ainda dói, como em carne viva, mas a distância (aparente) ajuda-me a fingir que não sei o que é saudade. Há caixas que ainda não tive coragem de abrir e fotos que prefiro deixar escondidas, emails por apagar e mensagens no telemóvel que gosto de imaginar eternas. Sei que é infantil dizer que nunca haverá mais ninguém mas a verdade é que não voltará a existir alguém como tu.
Só tu viste o melhor e o pior de mim porque só contigo fui eu mesma, sem reservas. E, entre tantas outras coisas, contigo aprendi que gostar não chega.

Para o próximo ano não faço planos, chego até a ter medo de imaginar o que virá por aí. O certo é que há um ano atrás se alguém me dissesse que eu agora estaria a servir às mesas, a viver novamente na casa onde cresci, a deixar a minha independência escapar por entre os dedos e a passar pela pior fase da minha vida - até ver -, eu simplesmente não teria acreditado. Mas é assim, uma das capacidades do ser humano é arranjar forças para se adaptar a tudo, mesmo não sabendo de onde elas vêm.
Que 2012 traga qualquer coisa de bom, só para variar um bocado.     

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Acho espectacular que algumas pessoas se movam apenas pelo que os outros têm ou representam. Adoro que algumas pessoas, que antes - nos tempos em que eu fazia o que gostava - quase me estendiam um tapete vermelho à passagem, hoje, que sirvo às mesas, finjam que não me vêem. Adoro mesmo. Obrigada, vida, por me estares sempre a ensinar estas lições.
O que me consola é saber que tudo isto dá muitas voltas e que esta é apenas uma fase em que estou a aprender um ofício diferente. Apenas isso. E que sim, ainda vou voltar às lides jornalísticas - de cabeça erguida e com humildade, as always - e vou gostar de vos ver a fazer vénias novamente, ainda que saiba que representam somente medo e não respeito.


  

domingo, 18 de dezembro de 2011

Tal como o Vinho do Porto

Lembro-me de começar a ouvir Linkin Park há 10 anos, quando se tornaram conhecidos. Adorava toda e qualquer música deles e risquei todos os álbuns, um por um, de tanto os meter e tirar da aparelhagem e, mais tarde, do leitor do carro.
Eu cresci, assim como a música deles amadureceu. Tive o prazer de os ver duas vezes ao vivo, se bem que a segunda - em 2008 - me tenha desiludido significativamente. Nunca deixei de gostar da onda deles mas confesso que gosto muito mais agora, mais crescidos e sem a necessidade de parecerem eternos rebeldes com calças caídas e grunhidos exagerados.
Esta versão do 'rolling in the deep', da Adele, arrepia-me de todas as vezes que a ouço. E terá sido a primeira vez que, para mim, um cover superou o original. É muito mais que bom.




P.S.: Não tivesse eu o coração estraçalhado e um cinto de castidade psicológico mais ou menos até 2035, era menina para casar com este moço. Não há nada a fazer, só gosto de 'bad boys'.

Tão verdade...

"Quando pensamos ter todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas."

Irrita-me reconhecer mas é mesmo isto. Sem tirar nem pôr.



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

É isso

Porra, tenho tantas saudades de ir a um concerto, que duvido que alguém consiga entender isto. Gritar, cantar a plenos pulmões músicas que me fazem arrepiar, estar apenas ali, sem lembrar o resto do mundo. Cantarolar letras que me dizem mais do que penso, de olhos fechados e copo na mão. Gosto tanto... E faz-me tanta falta. Mesmo. Dava tudo para ver outra vez Incubus, Red Hot, Metallica, Linkin Park, Marilyn Manson, Stone Sour ou Placebo.... Hoje.

Raio de ano, este, que nunca mais acaba. Coisas boas e positivas, estou à vossa espera, ainda que, aparentemente, vocês tenham perdido a minha morada.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Private post #1

Saber-te feliz, ainda que seja através de fotos, é para mim uma espécie de molho agridoce. Fico feliz por saber que estás bem, mas não consigo deixar de ficar um bocadito triste por saber que estás tão bem sem mim.


Lá canta a Adele, e com razão, "who would have known how bittersweet this would taste?". Pois é.

sábado, 19 de novembro de 2011

Prós e contras de uma nova realidade

Prós e contras desta interessante aventura (passageira, espero) no mundo da hotelaria...

Contras:
1 - Aturar gente rude. Custa-me horrores.
2 - Cortar 10 pães por dia e ficar com um calo na mão provocado pela faca.
3 - Estar 8/10 horas de pé por dia. Todos os dias.
4 - Engolir sapos do tamanho de cangurus, para não responder à letra a determinada gentinha.
5 - Lavar a máquina do leite todo o santo dia.
6 - Trabalhar muito e receber pouco.
7 - Carregar todos os dias pilhas de loiça e ter dores nos rins.
8 - Eu ter no peito uma placa com o meu nome e algumas pessoas teimarem em chamar-me 'psssst ó menina' (só eu sei a raiva que isso me dá, pá...!).
9 - Ter diariamente a mente ocupada com o pensamento "não era isto que eu queria para mim".
10 - A obrigatoriedade de ser simpática para gente que me trata mal por achar que todas as pessoas que trabalham em hotelaria são analfabetas, incultas e pouco inteligentes.
11 - Não poder ver os noticiários.
12 - A minha queda natural para os acidentes... Inevitável.
13 - A quantidade de comida desperdiçada. Faz-me espécie. Muita.


Prós:
1 - A maioria dos colegas - uns porreiros. Se fosse noutro lugar, com outras pessoas, acredito que não teria aguentado um mês.
2 - (Abençoadas) gorjetas.




(Desequilibrado, eu sei, mas é o que temos.)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ainda acerca da sorte...

Li ontem um texto num jornal aqui da minha região que... Bem, nem sei como classificar aquilo. Uma confusão do início ao fim, uma espécie de salada russa de palavras na qual não se consegue identificar o que é a batata ou o ovo cozido. O autor parece não conhecer quaisquer regras de pontuação e - o melhor - eu tenho cá para mim que nem ele sabe ao certo o que quis dizer.
E em que é que isto se relaciona com sorte? Em tudo. Aquela pessoa só pode ser jornalista por culpa da sorte. Isto é muito simples: um jornalista tem que saber escrever, ponto final. Tal como um pianista tem que saber tocar piano, um professor tem que saber ensinar ou um actor tem que saber representar. Simples.
Como é que aquela pessoa trabalha num órgão de comunicação social? Pois, não sei, provavelmente esteve no sítio certo à hora certa e o destino resolveu prendá-la. Há muito que desisti de tentar entender estas coisas, ainda assim, casos destes não podem deixar de me revoltar. Não desejo mal à pessoa, nada disso, mas não sabe escrever um texto e, sejamos realistas, está apenas a ocupar o lugar de alguém que podia fazer melhor. 
Sou arrogante? Não acho. Se eu faria melhor? Sim, sem margem para dúvidas. Eu, pelo menos, sei escrevinhar umas coisas em português... Correcto. E gosto de usar, no emaranhado de parágrafos, aquelas coisas estranhas... Ai, como é que se chamam...? Vírgulas e pontos finais, acho que é isso. No entanto - ah, a puta da sorte que só assiste a alguns! - aquela pessoa 'brinca aos jornalistas' e eu actualmente, guardando na gaveta a licenciatura e a pós-graduação, tiro cafés e sirvo à mesa para não fazer parte dos 600 mil desempregados que já se somam neste país. Sim, já sei que é um trabalho honesto como tantos outros e blá blá blá, claro que é (e tanto valor que eu agora dou a quem faz disto vida!). Mas não, não foi para isso que estudei durante anos a fio e não me imagino a passar o resto dos meus dias a aturar gente rude e mal-educada que trata os empregados de mesa e bar como meros servos.
E sim, tudo isto é mesmo uma questão de sorte. Para uns. Os outros têm que viver com a falta dela.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Uma questão de sorte

Descobri este talento numa das minhas viagens pelo youtube. Ao que parece, a Susana vive no Porto e é pelas ruas da Invicta que espalha magia, fazendo covers absolutamente espectaculares. A voz dela é qualquer coisa e, é inegável, a rapariga canta com um sentimento mais que verdadeiro.
Isto para chegar aqui... Ela tem talento, um vozeirão, uma presença fortíssima. Mas canta na rua. E depois olhamos para a televisão e para as revistas e vemos miúdos que não dão uma para a caixa e, é flagrante, só lá estão por terem um palminho de cara ou uma cunha do tamanho da lua. Cada vez mais me convenço que, a par do talento, temos que ter sorte, muita sorte. Mas temos mesmo. É o 'estar no sítio certo à hora certa', coisa que a muitos acaba por nunca acontecer. E é pena. Neste caso, pena pelo facto de esta voz não ser devidamente aproveitada. Pode ser que um dia a Susana esteja na rua certa à hora certa =) 







sábado, 5 de novembro de 2011

Ironia...?

Não deixa de ser curioso analisar as estatísticas e perceber que o anúncio deste interregno de alguns meses foi o post mais lido de sempre aqui no burgo, num ano e meio de (in)confidências. É inato ao ser humano, gostamos é de lágrimas e desgraças (desde que não sejam as nossas, claro).  

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Tal e qual

"O dia em que as coisas acabam tem 24 horas como os outros mas é uma espécie de maratona interminável. É o dia do nosso fracasso, um fracasso pior do que ter negativa na escola ou perder uma corrida ou queimar o jantar com convidados à mesa, porque é um fracasso que vem de dentro, que vemos só como nosso, mesmo quando não é e é pouco justo impor esse peso. É o dia em que queremos que falem connosco e nos façam esquecer este aperto no peito, ou então que fiquem calados, porque dói se disserem coisas tristes, e dói se disserem coisas felizes. É o dia em que sentimos que estamos a andar para trás mesmo quando as pernas andam para a frente, e como não somos caranguejos não conseguimos evitar ficar ainda mais, um bocadinho mais tristes."

Lido e retirado daqui, um blogue que descobri há pouco tempo e que tenho gostado de explorar. Porque esbarrei nestas palavras e me dei conta que pareceram escritas (por e) para mim. Porque o dia em que "as nossas coisas" acabaram teve lugar há uns quantos meses e eu continuo a sentir-me assim. Todos os dias.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Aviso à navegação

A gerência informa os seus (três, vá lá na loucura quatro) leitores que este blogue se encontra, por tempo indeterminado, mais ou menos encerrado. Encaremos a coisa como uma espécie de férias para balanço.
Não que falte assunto para escrever, mas porque o assunto - agora e por estes lados - é apenas um. E já se sabe, de coração estraçalhado é mais que certo que nada de muito interessante sairá daqui (sem coração estraçalhado também não nasciam aqui grandes coisas, eu sei). Assim sendo, adiós.
Talvez volte. Ou talvez não.


P.S.: Vá lá saber-se porquê mas não consigo comentar no meu próprio blogue. Isto para dizer à @n@bel@ (que comentou o post anterior) que agradeço a força virtual. Thanks =) E não, de facto não sei quem é, mas se é visitante assídua aqui do estaminé só pode ser boa pessoa.


terça-feira, 12 de julho de 2011

Lição nº 957

Isto de termos momentos maus na vida traz-nos várias coisas. Talvez a mais importante seja a oportunidade de conhecer melhor quem nos rodeia. Pode ser lugar-comum o que se segue mas, de facto, quando estamos bem, somos boa companhia para os copos e dizemos umas parvoíces que fazem os outros rir, todos gostam de nós. Quando somos nós a precisar que nos animem, que se lembrem que nem sempre estamos de bem com a vida e que talvez até precisemos de um abraço ou de ouvir um "vai correr tudo bem", aí é que percebemos quem nos leva no coração. E merece um pedacinho do nosso. 
Além da família - sempre presente e que não falha, valha-nos isso -, apenas uma pessoa se mostrou disponível para me ajudar na mudança (que mais que uma mudança de casa, representa uma mudança de vida). E essa merda diz-me muito. Muito mesmo. Isso e o facto de ter pessoas que estão a centenas de quilómetros e me enviam mensagens para "mandar um beijinho, dizer que te adoro e que tenho a certeza que vais dar a volta por cima", enquanto outras que vivem bem perto nem um telefonema fazem ou a merda de um café tentam combinar para saber como estou. E não estou a falar de conhecidos, que eu distingo-os muito bem dos poucos a quem chamo amigos (tão poucos...). Isto é lamentável quando vem de pessoas por quem tanta amizade e carinho tenho.
Um dia disseram-me que eu gosto muito mais das pessoas do que elas gostam de mim e, consequentemente, dou muito mais do que recebo. Talvez seja verdade. Tão verdade que até chateia.
Estamos sempre a aprender, é o que é.  



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Eh pá, não me lixem!

Ontem estiveram no arranque do Optimus Alive 53 mil pessoas. Que, presumo, pagaram para lá estar. E beberam e comeram. Muitas delas certamente foram as mesmas que há uns meses gritaram na Avenida da Liberdade porque "somos uns coitadinhos que não temos trabalho nem dinheiro, e o que é que vai ser de nós?". Até ao final do Verão contam-se mais de 50 festivais em solo luso e em todos eles vão estar meninos à rasca. E era só isto.

Vêm falar-me de crise? Crise onde? Só na minha carteira, pelos vistos.



terça-feira, 5 de julho de 2011

Ainda bem que o fundo deste blogue é negro. Combina na perfeição com o estado do meu coração neste momento. (E eu que às vezes penso que tenho um coração frio e insensível, tais são as barbaridades que digo... Mas nada disso, é um coração feito do mesmo que os outros são. E que dói. Para caraças, por sinal.)
É a vida.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Coisas que eu constato

Diz que o "para sempre" e coisas que tais não são assim tão para sempre. E que a vida nos troca as voltas com uma pinta do caraças.
Ninguém disse que ia ser fácil - verdade -, mas também não era preciso ser tão difícil.


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Mas porquêêê?

Só uma passagem por aqui para dizer que:

1- Invejo (tanto...) as pessoas que podem comer tudo o que lhes dá na real gana e que, ainda assim, são sempre magras e elegantes.

2- Há dias em que percebo que sou mesmo demasiado desorganizada e que se fizesse as coisas com mais tempo era capaz de ser melhor. (Hoje é um desses dias, nos outros esqueço-me.)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Não há palavras...

Pela terceira vez na minha vida, fui convidada a trabalhar de borla. Desculpem lá mas eu por acaso tenho parecenças com a madre Teresa? TRABALHO é uma merda que implica remuneração, boa?
Vergonha de pessoas, vergonha de país.

sábado, 21 de maio de 2011

Obrigada pela preferência

E a questão que se coloca é... Mas quem é que vem visitar este blogue às 06h00? Não sei quem é mas se vir aqui ler parvoíces é uma espécie de remédio caseiro para as insónias, só posso ficar satisfeita. Muito mesmo. Pelo menos sei que isto - afinal - serve para alguma coisa. Ah pois é.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Oi...?

Há pouco ouvi uma jornalista - fazendo uma reportagem sobre a final da Liga Europa - dizer "e pronto, esperemos que a taça venha para Portugal". E... Como é que se diz isto...? Não é isso que está em questão, minha amiga, a taça virá efectivamente para Portugal (a menos que a equipa vencedora a deixe cair do avião ou assim), resta saber se vai para Braga ou para o Porto.
Tenho cá para mim que, mesmo admitindo que a senhora não percebe muito de futebol, se a profissão a obriga a fazer uma peça sobre a final de hoje, devia pelo menos saber que são duas equipas portuguesas que a vão disputar. Aliás, é por isso mesmo que é considerado um jogo histórico, independentemente de quem vença. 

"Certificar a ignorância" não é expressão para me escandalizar assim tanto

Não posso fugir ao assunto do momento. A polémica, lançada por Passos Coelho, em torno do programa Novas Oportunidades. Vou ser mais breve do que gostaria, comprometendo-me a terminar o texto antes de começar a espumar de raiva, que este tema é coisa para me acordar o sistema nervoso à séria.

Ora bem, eu acho muitíssimo bem que as pessoas que, por qualquer motivo, não puderam prosseguir os estudos na altura devida o possam fazer mais tarde. Até porque penso que o direito à educação e à formação deve assistir a todos. Agora - não me lixem! - não posso nem nunca irei concordar com o facilitismo que geralmente está implícito nesses programas (e que, ao que me parece, foi o que o PC criticou, e não o programa em si). Porque é muito bonito aumentar substancialmente o número de pessoas com mais habilitações, é sim senhora, mas desde que mereçam os diplomas. Passar-se certificados e diplomas em troca de um dossiê ou de uma espécie de biografia é, obviamente, gozar com a cara de quem - para ter uma licenciatura - estudou 16 anos consecutivos. Não é concebível para mim e é do mais injusto que pode haver.

Estive a ver o Opinião Pública, na SIC Notícias, em que esta manhã se abordava o assunto. Entre pessoas que frequentam o programa (e que, obviamente, negaram que haja facilitismo), ligaram várias pessoas que trabalharam em Centros Novas Oportunidades ou que têm familiares que também usufruíram do programa e só vieram reforçar a minha revolta perante o mesmo, ao confirmarem que existe, de facto, um grande facilitismo, descarado até. Desde composições que acabam por ser feitas pelos professores a composições retiradas da Internet. É ou não é bonito? É lindo! Na verdade, essas pessoas é que são inteligentes. Deixa-se de estudar e uns anos mais tarde tira-se um diploma ali em cinco meses fazendo um texto onde se conta como tem corrido a vidinha (fala-se do casamento, dos filhos, das férias em Freixo de Espada à Cinta, da morte do periquito, da prima que leva sovas do marido e por aí adiante). De facto, é tentador.
O chato é que essas pessoas ficam com o certificado mas não adquirem realmente conhecimentos, o que, além de não ser vantajoso para elas, é péssimo para o mercado de trabalho (onde estas pessoas passam a ficar lado a lado com aquelas que fizeram o "percurso normal" e estudaram pelo menos 12 anos para conseguir o 12º ano de escolaridade). Certificar milhares de pessoas só para embelezar as estatísticas não me parece uma boa opção. Mas isto sou eu...

Ainda relativamente ao Opinião Pública desta manhã, achei particular graça a um jovem que frequenta o afamado programa e que gritou, quase indignado, "ainda ontem estive até às 3 da manhã a matar a cabeça a estudar! Pois, porque nós ali temos que estudar porque fazemos testes". Errr... E pergunto eu, mas não é suposto ter que se estudar? Qual é o espanto? Ao longo de toda a minha vida académica também tive que estudar, que ninguém o fez por mim. E então? Se logo à partida os próprios alunos do NO acham estranho o facto de ali ter que se estudar, é porque algo não está bem... E sim, fazem alguns testes mas, ao que se sabe, até aí há facilitismo.
Acredito (ou quero acreditar...) que não será assim na totalidade dos CNO, certamente há professores que exigem aos alunos do NO o mesmo que exigiriam a alunos do ensino regular (verdade?). 

Também podia falar do acesso ao Ensino Superior para maiores de 23, que é outro que tal, mas fica para outra ocasião. Concordo com oportunidades iguais para todos - volto a frisar - mas têm que ser isso mesmo... Iguais. E não como acontece em Portugal, onde aparentemente quem faz o percurso regular é que sai prejudicado.   

A loucura (ou como eu afinal tenho memória)

«- Lembras-te da primeira pergunta  que te fiz?
- "O que é a loucura?"
- Exactamente. Desta vez vou responder sem fábulas: a loucura é a incapacidade de comunicar as suas ideias. Como se estivesses num país estrangeiro, vês tudo, percebes o que se passa à tua volta, mas és incapaz de te explicar e de ser ajudada, porque não entendes a língua que falam ali.
- Todos nós sentimos isso.
- Todos nós, de uma forma ou de outra, somos loucos.»
(Paulo Coelho in Veronika Decide Morrer)


Percebi que ainda sei de cor em que página do meu livro preferido está uma das minhas passagens preferidas (confusos? deixem lá...). Apesar de não ser totalmente fã de Paulo Coelho - tenho alguns livros dele dos quais gosto muito mas outros não têm muito a ver comigo -, adoro de paixão este livro. Já o reli umas cinco vezes e hoje lembrei-me que quero fazê-lo de novo.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Love it!

No meu dia-a-dia não acho graça a pessoas arrogantes. Geralmente porque é gente sem a mínima razão para ser arrogante.
No entanto, adoro ouvir o Mourinho, o Pinto da Costa, ver o chef Gordon Ramsay no Hell's Kitchen ou deliciar-me com a personagem Dr. House. Adoro este mau feitio vindo de pessoas que o fazem porque sabem que podem. Quem é bom no que faz pode ser arrogante e presunçoso q.b.. Eu acho. Mas só mesmo quem é bom.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Portanto, electricista?

Eu estou inscrita há bastante tempo num site de procura e oferta de emprego. Fiquei inscrita com alguns dados, entre os quais a minha área de formação e zonas do país onde pretendo trabalhar. Supostamente, só recebo daquele site ofertas de emprego respeitantes à minha profissão. Ora, hoje recebi uma oferta de emprego para electricista em Viseu. Só dizer que eu moro muito longe de Viseu... Já para não falar que não fazia ideia que a profissão de electricista se inseria na categoria comunicação social/media. Estou sempre a aprender, eu.

domingo, 8 de maio de 2011

Ora então, parabéns!

Diz que a Coca-Cola faz hoje 125 anos. Companheira em dias difíceis (de ressaca, vá...), em almoços de Verão na esplanada, com muito gelo e limão em noites quentes. Enfim, uma amiga para a vida. E muito lhe devo, que há dois anos e tal tive uma virose manhosa em que nada ficava no estômago - nem mesmo a água - e depois de um dia a ingerir nada mais que Coca-Cola a virose sumiu-se. Sem quaisquer medicamentos. É um episódio bonito que guardo para a vida.
Já dizia o Pessoa... "Primeiro estranha-se e depois entranha-se." 




terça-feira, 3 de maio de 2011

Os cinco líderes no sofá do 5



Então 'bora lá ver e ouvir o que os cinco líderes dos principais partidos têm para dizer ao longo desta semana, no 5 para a meia-noite. Acho muito estranho o Sócrates disponibilizar-se a ir a um programa do género - ele, que só vai a grandes entrevistas e afins - mas estou curiosíssima para ver em que registo o fará.
O primeiro a responder à chamada é hoje Jerónimo de Sousa, entrevistado por Filomena Cautela. Vamos ver o que sai dali.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mais um capítulo da história a escrever-se

Hoje acordei com a notícia da morte de Osama bin Laden. Durante quase 10 anos, os Estados Unidos e o Mundo fizeram dele a cara do terrorismo. E era uma delas, sem dúvida. Mas não era a única. O que quero dizer com isto é que sim, é uma espécie de alívio saber que um dos maus está morto (é como nos filmes, queremos que os bons tenham finais felizes e que os maus sejam presos ou mortos - ou melhor,  é preferível que morram mesmo, que isso de ser preso é um bocado relativo), mas não significa que o terrorismo acabe aqui. Aliás, o Bin Laden era a cabeça da Al-qaeda mas muitos outros elementos estão espalhados pelo Mundo. E os seus "seguidores" certamente vão querer vingar a morte do líder, havendo já vários discursos que alertam para prováveis retaliações nos próximos tempos.
O Barack Obama é que sai vitorioso desta operação, ficando para a história como o presidente norte-americano que abateu o número um do terrorismo. Convenhamos, para quem vai recandidatar-se nas próximas eleições esta injecção de popularidade aparece na melhor altura.
E tendo em conta que a ocupação do Afeganistão - e consequente guerra - nasceu com o objectivo de encontrar o bin Laden e reduzir a acção da Al-qaeda, é esperar para ver se a prometida retirada das tropas do Afeganistão será mais célere.

domingo, 1 de maio de 2011

Para reclamar estou cá eu

Enviei um e-mail a uma operadora móvel com uma pequena reclamação. Estava capaz de apostar 100 euros em como não vou obter qualquer resposta.
Eu reclamo muito, é verdade. De quase tudo e todos. Mas apenas quando acho que o meu desagrado é legítimo. E, desculpem lá, quando se paga por um serviço, o mínimo que se pede é que esse serviço seja bom. Pelo menos eu assim vejo as coisas.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Hoje falam de nós e não é por causa do FMI



Três equipas portuguesas iniciam hoje a luta por dois lugares na final da Liga Europa. É uma espécie de jogo da cadeira mas sem cadeiras.
Quem quer que saia vitorioso do duelo entre Benfica e Braga, espero que o outro finalista seja o Porto. Isso é que era bonito. Que sejam bons jogos, é o que se pede.


domingo, 24 de abril de 2011

As coisas que eu aprendo (ou como fazer um post estúpido com base num peixe que ronca)

E eu que não fazia ideia que existe um peixe chamado peixe-porco? Diz que ronca, o bicho. Ele há coisas...

sábado, 23 de abril de 2011

É um facto




quinta-feira, 21 de abril de 2011

De como os portugueses são corajosos

Não me lembro de, em qualquer outra época, eu ter sentido realmente medo do dia de amanhã. Verdade, outras crises já assombraram o nosso país mas eu nunca as senti (se tempos complicados existiram, eu – no conforto da casa dos pais – nunca antes dei por eles). Hoje é diferente. Tenho contas para pagar e um frigorífico para manter composto e uma cadela para alimentar e um carro para abastecer e sei lá que mais. Eu, novamente desempregada e sem quaisquer perspectivas de trabalho, estou verdadeiramente preocupada com o que aí vem e é por isso que não consigo conceber que os portugueses (aqueles, sabem, que estão lixados com o FMI?) esgotem os hotéis algarvios por estes dias. Eu sei, quem tem dinheiro faz o que quer com ele e se as pessoas querem comer amêndoas no Algarve é lá com elas. Mas, porra, isto está assustadoramente perigoso para qualquer um, não só para os pobres e desempregados. Veja-se o exemplo da Irlanda… Não são apenas os pobres que estão a sentir a crise, é toda uma classe média alta que, após anos de vida acima das possibilidades, vê-se agora a braços com o desemprego, com a obrigatoriedade de vender grande parte dos bens e com a realidade de que férias, nos próximos tempos, só em sonhos. E, verdade seja dita, quem sempre viveu com o dinheiro contado está calejado. Os ricos é que não estão preparados para perder o que sempre tiveram e é por isso que levam mais tempo em estado de negação perante momentos difíceis, continuando a gastar como se nada se passasse.
No dia em que o FMI aterrou, literalmente, em solo luso, vi uma reportagem em que uma turista holandesa (se a memória não me falha) se mostrava escandalizada com o facto de Portugal estar na bancarrota mas as pessoas almoçarem em restaurantes. Dizia ela: “nós levamos uma sanduiche de casa para comer à hora de almoço, é uma forma de poupar”. Eu não sei se levar a marmita com o almoço para o trabalho seria a solução porque, bem sabemos, o cerne da questão está na mentalidade do português. Pode estar tudo desgraçado mas, seja de que forma for, não pode é faltar dinheiro para ir ao restaurante, à bola e para outros tantos luxos. Basta ver a quantidade de carros novos que rodam por aí ou dar uma vista de olhos nos sites das operadoras móveis – onde podemos ver que os equipamentos mais vendidos são os topo de gama.
Os portugueses gostam de ignorar os problemas até à última, gostam de esticar a corda para ver até onde ela aguenta. Acho que sobeja aquela ideia de que se ignorarmos as coisas, elas deixam de existir (como a morte ou as doenças, há pessoas que pensam que se não falarmos nisso, elas deixam de acontecer). “O FMI? Quero lá saber, deixa-me lá ir ali gastar 1000 euros em quatro dias de férias e que se lixe o FMI, que eles ainda nem decidiram quanto nos vão emprestar.” Custa-me um bocado a perceber mas esse é um problema meu, de facto.
Haja malta optimista que consegue ir comer o folar com os pés na areia, que eu cá nem para ir acampar teria possibilidades neste momento. Até porque não tenho tenda e se há coisa que me dá urticária é o campo e aqueles répteis fofinhos que andam lá no meio das ervas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sobremesa? Sim, obrigada.

Obrigada

S. Pedro, fico desmesuradamente satisfeita por saber que os correios trabalham bem aí em cima. Além disso, é também com especial agrado que vejo que perdeste tempo a ler a minha carta.
Confessa, foi a ameaça da petição, não foi? =)

sábado, 16 de abril de 2011

Carta ao gajo do tempo

S. Pedro:
Como é que eu hei-de começar...? Errr... Opá, que cenas andas tu a fumar? Antigamente, nós sabíamos que existiam quatro estações do ano e a cada uma correspondia uma parte do nosso guarda-roupa. Agora que deste nessa coisa de passar dos 9ºC para os 28ºC mais depressa do que a TVI apresenta uma nova novela, a tarefa diária de escolher a roupa tornou-se uma aventura do caraças. Se uma pessoa tem que sair de casa muito cedo é a loucura completa. Veste-se uma roupa quente porque as manhãs são de Outono - frio, portanto -, mas ao meio-dia já estão 27ºC e nós estamos longe de casa e temos que suportar o calor até voltar ao conforto do lar. Achas bem? E os casaquinhos de malha feitos para a Primavera, coitados, que futuro lhes está reservado? E quem diz os casaquinhos diz as All Stars, que no Inverno metem água e no Verão assam os pés da malta. Toda a gente sabe que as All Stars são o calçado de "meia estação". Não te sentes culpado por prejudicar os senhores da Converse, não? 
Estamos em Abril. Abril! Em Abril, às 21h00, o termómetro do meu carro não pode marcar 24ºC, isso é contranatural. E tanto que eu gosto da Primavera, uma querida que, por um lado, já nos permite estar na esplanada e beber minis sem ficarmos com a garganta inflamada e, por outro, nos livra dos odores corporais que andam por todo o lado no Verão, nomeadamente cheiros que vêm ali da zona das axilas de muito boa gente. Ou seja, a  Primavera é aquele meio-termo que eu admiro (talvez seja mesmo a única coisa na vida em que eu defendo um ponto intermédio), até porque não tenho alergias a pólenes nem nada disso.
Os portugueses não andam malucos a fazer greves e manifestações por tudo e por nada? Ora, se não me deres ouvidos, eu proponho uma petição para que a Primavera volte ao activo, que - coitada - não pode ser mais uma desgraçada apanhada nas teias do desemprego.
Percebeste tudo, S. Pedro? Vê lá bem se o sistema informático está a funcionar correctamente, se não entraram aí uns vírus ou coisa que o valha, e devolve-nos as temperaturas primaveris, está bem? Agradecida.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Não é defeito, é feitio.

Desculpem lá qualquer coisinha mas vou continuar a ser assim. Exceptuando em ambiente laboral (onde algumas vezes engolir sapos é obrigatório), falo quando acho que devo falar, sorrio para quem me apetece e não vou em conversas de circunstância que assentam em interesses escondidos. Felizmente, percebi há muito que não me apetece perder tempo com quem não vai trazer nada à minha existência.    
Nunca fui de ir em rebanhos, sou mais de minorias. Não que me ache melhor que os outros, que não acho, mas porque são poucas as pessoas com quem me identifico e, podendo ser estúpido ou não, são apenas essas que quero na minha vida. E, acima de tudo, não faço fretes nem favores. Gosto, óptimo. Quando não gosto também não finjo o contrário, que não ando cá para enganar ninguém. É uma maçada, é uma merda, mas é o meu feitio. Azar.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Digam-me só... Mas isso interessa a alguém?

A partir do momento em que isto é notícia, eu fico com a certeza que cada país tem a comunicação social que merece.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Não nos estaremos a esquecer de nada?

Ó vida, não te estou a perceber... Já lá vão quase seis meses desde que a porta se fechou, onde raio está a janela que era suposto abrir-se, pá?

Também existe em bom

Há música portuguesa muito má, de bradar aos céus mesmo. Mas, felizmente, nos últimos anos têm aparecido uns projectos tugas que me fazem ter alguma fé. Porque nem todos gostamos de pimbalhadas sem jeito...
Fica um pequeno apanhado das coisas interessantes (opinião minha, obviamente) que se têm feito mas, claro está, são aquelas que não vemos nos programas de televisão nem ouvimos na rádio (excepção para a Antena3, estação que me deu a conhecer quase todas as bandas que aqui apresento).



DIABO NA CRUZ - Gosto das letras e da despreocupação com que dizem "os padres comem putos"


OS GOLPES - Não sei bem porque gosto desta música. Mas gosto.


VIRGEM SUTA - Destes vão duas, que não me consegui decidir.



DONNA MARIA - Acho que o projecto entretanto acabou. Mas era qualquer coisa.


OQUESTRADA - Só porque sim. 


MUNDO CÃO - Gosto tanto que até me irrita...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A história não era assim, que eu lembro-me

Quando era adolescente pensava muitas vezes naquilo que seria a minha vida uns anos mais tarde. Nunca tive pressa de crescer - afinal de contas, tudo tem o seu tempo -, acho que fiz as coisas quando tinha de ser. Diverti-me o suficiente, pensei demasiado em algumas ocasiões, houve excessos noutras. Tudo normal.
Nunca gostei muito de estudar, sempre fui aquela aluna que sabia umas coisas mas, principalmente aí a partir do secundário, não gostava muito de "marrar" e pronto. Mas tinha noção que estudar era importante e, como tal, tirei o meu curso superior (o único que sempre quis) porque, lá está, "sem um curso não vais a lado nenhum", diziam-me. Agora, quatro anos passados do término do curso, olho para trás e vejo que a minha vida não corresponde àquilo que eu pensava há 10 ou 12 anos. Se tudo tivesse corrido segundo as linhas que eu escrevi - e que acreditava mesmo que se concretizariam -, eu seria agora uma pessoa feliz, com um trabalho gratificante e poderia fazer coisas que certamente elevariam os meus níveis de contentamento (sim, dizer que o dinheiro não traz felicidade fica muito bem mas todos sabemos que não é verdade; até mesmo na saúde, se eu tiver dinheiro posso procurar os melhores especialistas e não me resignar ao que o centro de saúde me oferece). Eu estudei, continuo a enriquecer o currículo actualmente mas, ao que tudo indica, isso não chega. Nem chegará num futuro próximo.
Como disse inicialmente, nunca tive realmente pressa de crescer mas com quase 30 anos ambicionar ter um trabalho não é ter pressa, é só querer uma mísera recompensa pelo caminho que fiz até aqui. Eu não queria ser a melhor, sei que nem queria receber prémios. Eu só queria um trabalho. Poder fazer aquilo que quero desde miúda... Era mesmo só isso.

(E há dias em que o desemprego e a desmotivação, que anda sempre de mãos dadas com ele, conseguem sobrepor-se a qualquer réstia de esperança que ainda paire por aqui.) 

domingo, 10 de abril de 2011

Isto está pior do que eu imaginava


(Se o título não vos for suficiente e quiserem mesmo ler a notícia, é clicar em cima da imagem, está bem?)


E é isto.
Eu não sei o que se passa com as pessoas deste país mas, de facto, caímos numa ridicularia sem fim, em que todos dizem o que lhes apetece e - pior - fazem o que lhes dá na real gana, sem qualquer noção.  


Ficar feliz pelos outros sabe igualmente bem

Hoje foi um dia especial para três pessoas de quem gosto muito. Em todos os casos, por motivos profissionais... A L. começa uma nova etapa, depois de um período de desemprego, e felizmente na área que gosta e na qual se sente bem a trabalhar. Depois, Ele (o 'meu' Ele)  e o H. deram mais uma prova dos bons profissionais que são e tiveram o merecido reconhecimento por um trabalho admirável.
Por qualquer um deles, eu fico tão feliz como se fosse um êxito meu. De coração.


terça-feira, 5 de abril de 2011

Era um pratinho de bom ambiente, por favor!

Neste meu hobby diário que é a procura de trabalho na Internet, deparo-me com muitas coisas. Umas dão para rir, outras nem por isso. Mas o que me choca realmente é haver empresas que - desculpem a franqueza - com uma grande lata publicam ofertas de trabalho vergonhosas (a meu ver, claro). Exigem milhares de requisitos aos candidatos, sendo por vezes conhecimentos que nem um profissional com 20 anos de carreira consegue ter, e depois oferecem "excelente ambiente de trabalho" e "oportunidade de aprendizagem". Apenas isso. Errr... Porreiro... Só uma questão: e a remuneração? Voltamos a ler e vemos que a última alínea lembra que "as colaborações não serão pagas" porque é uma empresa bebé e blá blá blá...
Corrijam-me se eu estiver errada mas quando falamos de trabalho no sentido de actividade profissional, referimo-nos a um serviço que é pago (chama-se... salário, é isso), correcto? É tudo muito bonito mas a malta alimenta-se de quê? Uma massada de aprendizagem? Ou será uma sande de ambiente? É que não estamos a falar de estágios curriculares. Desses também eu fiz dois e acho muito bem que existam, uma vez que acaba por ser a única forma que os jovens têm de, ainda enquanto tiram o curso, contactar com o trabalho e respectivo mercado.

Eu percebo a questão de serem empresas ainda embrionárias mas acho que é abusivo e desrespeitoso publicar convites à exploração disfarçados de ofertas de trabalho. Se eu abrir uma empresa é óbvio que tenho que estar preparada para, nos primeiros meses, pagar para trabalhar. Mas a  empresa é minha, assim como o interesse em que ela vingue, logo tenho que abdicar do ordenado para que a empresa consiga crescer. Outra coisa muito distinta é eu, dona ou gestora da empresa, procurar pessoas para trabalharem para mim de borla. Pode ser só de mim mas é uma questão de princípios, até porque, que eu saiba, a escravatura no império português foi completamente abolida no século XIX.
Acho extraordinário, pronto. E depois ainda tenho que ouvir dizer que nós somos mimados e armados em coitadinhos e mais não sei quê. Mimados por não querer trabalhar de borla?! Mas há alguém que goste de trabalhar sem receber? Eu já o fiz uma vez e o que ganhei ficou bem à vista. Quando, na minha inocência, depois de alguns meses de exploração, perguntei se haveria hipótese de um contrato... Apontaram-me a porta da rua. É disto que o nosso país é feito.

domingo, 3 de abril de 2011

Aviso: post com palavrões (ou como eu estou irritada)

Epá, put@ que pariu os meus vizinhos mais as obras ao domingo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Também é preciso saber gostar

Acho que já disse aqui por mais que uma vez que o fanatismo, seja de que espécie for, é coisa para me dar urticária. E, no que respeita ao futebol, além da urticária, dá-me vontade de rir. A maioria não se dá conta mas sim, o tipo de comentários proferidos e a forma como muitas pessoas NÃO sabem ver futebol são óptimas provas da falta de inteligência que por aí prolifera.
O Benfica-Porto é no próximo domingo e já correm no facebook inúmeros posts como "até os comemos" ou "não lhes vamos dar o título na Luz". Eu acho piada a isto, a sério. Os benfiquistas até podem não ganhar o campeonato mas o problema deles não é esse... O verdadeiro drama é a possibilidade de o Porto fazer a festa em casa encarnada.
Eu, que portista me confessei há muito, gosto que o meu clube tenha bons resultados, obviamente. Gosto que ganhe campeonatos e que faça jogos memoráveis, mas sei ver futebol. Se o Porto perde, azar, não desato para aí a insultar quem vence. Acho que não é necessário, pronto. E sim, se o Porto pudesse já sagrar-se campeão no domingo era óptimo mas, se não acontecer, não é o fim do mundo. E, acima de tudo, sei que não vou insultar os benfiquistas porque, pronto, se há coisas que eu tenho é educação e alguma sensatez.
E - atenção - eu também critico e condeno quando são os portistas a ofender ou provocar adeptos de outros clubes. Aqui refiro-me apenas aos benfiquistas porque, de facto, por estes dias só tenho visto por parte de benfiquistas comentários provocatórios acerca do clássico de domingo.
Se os portugueses defendessem alguns princípios e ideias como defendem os seus clubes, tenho cá para mim que isto era país para estar mais desenvolvido.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Querida Adele

Ando a descobrir isto. E gosto tanto... Um vozeirão do caraças, uma carta fora do baralho - tal como eu gosto -, uma personalidade forte que se nota só de olhar (se não a tivesse, já a teriam obrigado a perder 10 kg para a imagem vender discos; ela não precisa, tem talento, ao contrário das 'pimbalhonas' - essas sim, só podem mesmo vender a imagem). Gosto e pronto.










Desde sempre

"Sinto mais do que demonstro, sei mais do que aparento."

E talvez já não haja tempo para mudar. Ou sequer vontade.

terça-feira, 29 de março de 2011

"Não estou interessada"

O telemóvel tocou. Como o número começava com 808, pensei: "ou é alguém a chamar-me para uma entrevista de emprego ou é uma tanga". Era a segunda hipótese, claro, que a minha sorte é igual ao azar dos outros (eu, se fosse um cãozinho numa loja de animais, seria aquele que nunca ninguém escolhe, ora porque tem o pêlo sujo, ora porque enche a jaula de cocó quando os clientes aparecem para fazer festas).
Obviamente era para me tentarem impingir um serviço - do operador móvel - tendo eu que pagar, para isso, 10 euros e 250 dos meus pontos acumulados, e depois os carregamentos obrigatórios. Pois que não, obrigada. Eu até admiro as técnicas que esta malta usa ("o seu número foi seleccionado para usufruir de uma magnífica promoção" e "você é especial" e "você foi escolhido entre 3 milhões de pessoas" e blá blá blá) mas comigo raramente funcionam. Assim que vejo que me querem enganar, entro em modo repeat e só consigo dizer "não estou interessada". Olha cá a merd@! Para me arranjarem promoções com chamadas à borla ou altos descontos em equipamentos não me ligam eles, agora para me ficarem com os pontos que tanto me custam a juntar... Nah... Não vou nessa.
Mas gostei muito que o senhor me tenha chamado 'sôdona' por cinco vezes (numa chamada de 30 segundos não é fácil, garanto-vos).


"Não perdes nada em entrar"

Por ontem ter visto o Pedro Laginha no filme A Bela & o Paparazzo, lembrei-me que o rapaz também canta e que eu até já vi Mundo Cão ao vivo e gostei bastante (errr... pelo menos do que me recordo). Estou viciada nesta música (coisa que daqui a dois dias já terá passado, que eu farto-me de tudo num instante).



segunda-feira, 28 de março de 2011

Dá o euromilhões dinheiro a quem não tem vontade

Diz-se que o euromilionário de Chaves permanece no anonimato e sem reclamar o prémio. Caro milionário tímido, se me estiver a ler, saiba que estou aqui de coração aberto para usufruir de uma pequena fatia dos 69,1 milhões de euros, está bem? Se o seu problema é a grandiosidade do prémio e o quer partilhar, não procure mais.


A noite de Domingo foi salva em língua portuguesa

Estive a ver A Bela & o Paparazzo, na RTP (há quantos anos não via eu a estação pública durante tanto tempo consecutivo!). Gostei. Este filme prova que se podem fazer coisas giras em Portugal. Com alguma piada e sem o recurso fácil a cenas de sexo para cativar espectadores. E o Nuno Markl faz, basicamente, de Nuno Markl - e o que eu gosto daquele estilo! -, nem sei por que raio se chama Tiago na película.

E a frase que fica deste filme é... "Às vezes, a melhor coisa que um gajo pode fazer é ir a toda a velocidade com os cornos contra a parede."


domingo, 27 de março de 2011

Gugu dadá!

Mestrado. Horário pós-laboral porque, normalmente, os mestrandos têm uma vida profissional activa. Tudo gente adulta, pelo menos segundo o Bilhete de Identidade. Ensino não obrigatório. Propinas escandalosas. (Estão a acompanhar-me? Boa.) Alguém me consegue dar um argumento válido para o facto de eu ter que assinar uma folha de presenças em determinada cadeira? Epá, vejam lá, como eu só tenho quase 30 anos, o melhor é telefonarem aos meus pais sempre que eu faltar a uma aula. Não vá eu andar metida na droga ou assim... Ou andar com más companhias...

Acho que é para a semana que passamos a levar os lápis de cera e os livros para colorir.


Hora de esplanadas e afins

Dentro de 20 minutos entramos na Hora de Verão. O meu coração agradece, pois desde Outubro que, cada vez que entro no carro, quase tenho um ataque de pânico a pensar que estou atrasada uma hora. Só alguns segundos depois é que me lembro que me recusei a acertar o relógio conforme a Hora de Inverno... Só a minha mente saberá a razão para estas atitudes tristes. 

sábado, 26 de março de 2011

Olha que boa ideia!

"Ah és tão engraçada! Farto-me de rir com as coisas que escreves no facebook."

Errr... E isso pode dar dinheiro? Posso ser uma espécie de ciberpalhaça profissional e ser remunerada por escrever parvoíces? Isso é que era qualquer coisa de espectacular.


sexta-feira, 25 de março de 2011

Hã...?

E depois há aquela coisa de jogadores/ex-jogadores/treinadores e afins de futebol terem... Vá lá, uma certa dificuldade em expressar-se. Mas só uma certa dificuldade...

Que pontaria...!

E o que eu gosto que falem de mim mas - azar dos azares - o façam com alguém que até me é próximo e me venha contar?   

quarta-feira, 23 de março de 2011

Que se segue agora?

É a história a fazer-se.
Como já se previa, o PEC IV foi chumbado e o PM apresentou a demissão. No mesmo instante choveram posts no facebook em modo de festejo. Eu entendo, até. Também eu critiquei (e continuo a criticar) muitas das  medidas tomadas por este - agora demissionário - governo. Diferença? Eu não festejo.
Se a queda do governo implicasse a melhoria das condições de vida e de trabalho e apagasse tudo aquilo que foi mal feito, eu também festejaria, com direito a uma bebedeira daquelas e tudo. Mas não é o caso. Hoje e amanhã a malta vai continuar a achar que isto foi o melhor que nos podia ter acontecido, mas dentro de algum tempo vamos ter as consequências, isso é tão certo como eu estar a escrever isto sentada no meu sofá.
A verdade é que, seja que governo for, os culpados das crises vão alterando mas os pagadores são sempre os mesmos... Nós. E esta queda, não podemos olvidar, é mais um duro golpe na situação nacional, pois o Sócrates vai mas não leva com ele os problemas. E, aliás, ele vai mas volta, que já deixou claro que vai recandidatar-se (e sim, eu acho possível que o povo o coloque lá novamente). E mesmo que já não lhe seja dada nova oportunidade de sentar lá o rabo, o seu sucessor não fará melhor. A história sempre nos provou isso. Até lá chegarem, só o povo interessa; quando lá estão, só conseguem ver o poder. Está para nascer um que me faça pensar de forma diferente.
Eu ainda não consigo dizer se foi bom, assim como não consigo decidir se havia caminho melhor. Aguardemos por novos desenvolvimentos, então. 

De certeza que sabemos o significado da palavrinha?

Senhores de determinada publicação, mesmo que vigore já na vossa redacção o novo acordo ortográfico, o significado de "inesperado" mantém-se. Portanto, dizer que aos 90 anos a morte é inesperada parece-me que é esticar um bocado a corda. Inesperado é morrer aos 20 com uma crise de cataratas. Aos 90, o coração parar, é só natural. Pode ser triste, aborrecido, lamentável and so on. Inesperado não.

E como não quero cá mal-entendidos, só clarificar que achava o senhor um amor de pessoa e, acima de tudo, um profissional de mão-cheia. Foi e será sempre uma referência em todas as áreas às quais dedicou a vida (fazia muito e fazia bem, feito que está reservado apenas a pessoas excepcionais). É uma pena que tenha partido e acho muitíssimo bem que venha a dar nome a uma rua - como já se pede no facebook -, que isso é o mínimo que um país pode fazer para homenagear um grande senhor. E é isto.    

segunda-feira, 21 de março de 2011

Há dias assim

Ter saudades de ser feliz não é bom sinal, pois não?
Bem me parecia...

sábado, 19 de março de 2011

Volta, Modelo, estás perdoado.

Gostava muito mais do Modelo antes de ser Continente. A questão dos descontos é linda, o "continente somos todos nós" também tem a sua graça. Agora... Porque é que extinguiram as caixas 'até 15 unidades'?? Acham mesmo que uma caixa 'para cestos' é a solução? Eu digo-vos... Não é. É mal pensado, claramente, até porque basta a pessoa colocar as compras num cesto (mesmo que tenha 100 unidades) e pode meter-se nessa caixa. Resultado... A coisa fica mais lenta que um caracol e a caixa que devia ser rápida só atrasa quem, de facto, tem poucas compras. Não gosto, pronto.
Senhores do Continente, que fique claro que perderam uma fã (só não perdem uma cliente porque só no vosso hipermercado é que encontro os meus bifes de atum preferidos).

quarta-feira, 16 de março de 2011

Quando me dá para aqui é um problema

Visto que cada vez mais pessoas têm vindo a deixar clara a sua opinião em relação à chamada "Geração à Rasca", onde eu acabo por me inserir também, é chegado o momento de responder a todos os que andam para aí a acusar-me (e a outros tantos) de não ter trabalho por vontade própria.

Primeiro ponto: não entendo qual é a necessidade de ofender ou promover choques de gerações tendo por base uma crise que, com mais ou menos intensidade, acaba por tocar a todos. E esse argumento do "ah e tal porque as gerações dos nossos pais e dos nossos avós é que andaram à rasca muito tempo" não me convence. É óbvio que em todas as gerações há dificuldades (e para perceber isso não é preciso ser um grande estudioso). As gerações anteriores também travaram as suas lutas e merecem todo o mérito por isso. Mas então porque é que nós não podemos reclamar daquilo que, aos nossos olhos, está menos bem nos dias de hoje? Os nossos ascendentes não lutaram pela liberdade de expressão e pela democracia? Óptimo - obrigada a todos, é graças a vocês que eu hoje posso escrever este texto - mas agora deixem-nos lutar por algo a que também temos direito... Um trabalho e, já agora, que seja condignamente pago.
E para quem diz que os mais velhos não se queixavam, aqui vai uma novidade: claro que se queixavam, a insatisfação é inata ao ser humano, vamos sempre querer mais ou melhor do que temos. A diferença é que, no tempo dos nossos pais e avós, não havia possibilidade – ou sequer ferramentas - para mostrar publicamente o descontentamento. Estamos esclarecidos?

Segundo ponto: nas palavras dos críticos ferozes, que apontam o dedo àqueles que se queixam, é notório que falam do alto de um emprego - bom ou mau, pelo menos têm trabalho - e o desprezo com que olham para os jovens desempregados denota que, das duas uma… Ou nunca tiveram que lutar por nada ou são mesmo só más pessoas.

Mas também gosto muito que digam que nós apenas nos disfarçamos de vítimas, pois, na verdade, gostamos de estar dependentes dos pais para gastar a mesada em festivais e roupas de marca. Ora, deixa cá ver… Há anos que não vou a um concerto; desde que fiquei novamente desempregada – há cinco meses – que não compro uma peça de roupa – ah! esse grande luxo que é comprar uma peça de roupa! -; o meu carro só anda porque os meus pais subsidiam as idas ao outro lado da fronteira para abastecer, assim como generosamente carregam o meu telemóvel e pagam as propinas do mestrado. Realmente, quem é que não gosta de viver assim, dependente? Ai ai... Vá lá perceber-se esta juventude…

E também não gostamos de trabalhar, não é? Pois, haverá gente que se sente bem assim, não duvido. Eu não admito é que me falem numa generalidade que não existe e, acima de tudo, na qual eu não me insiro. Eu já trabalhei de borla, só pelo gosto no que fazia e por acreditar que nada é em vão; já tive trabalhos precários e fui deixando andar porque afinal “mais vale ter um mau do que não ter nada”; assim como fiz estágios curriculares sem me queixar e tal como, desde há três meses, me levanto da cama às 05h00, se necessário for, para acompanhar profissionais da minha área em serviço sem receber qualquer remuneração. Só para poder aprender um pouco mais e não me sentir tão inútil. Se isto é não querer trabalhar, eu não sei que dizer mais…

Dizem ainda os críticos dos mais novos que nós saímos todos os fins-de-semana e gastamos um balúrdio em bebedeiras, não é? Epá, eu gostava muito que isso fosse a minha vida, de facto. Se essas pessoas quiserem financiar as minhas saídas à noite, é com todo o gosto que passo a fazer isso. Podemos falar sobre isso um dia destes, está bem? E nem é preciso pagarem-me bebidas brancas, que eu cá contento-me com umas cervejinhas – olha lá, simpática que sou.

Terceiro e último ponto: as vossas críticas, que com muito apreço tenho lido, têm também um carácter cómico e, só por isso, já merecem uma salva de palmas, que eu sou uma pessoa que gosta muito de rir. Passo a explicar… Acho extraordinário que alguém me critique, dizendo que esta é uma geração de ignorantes, e o faça através de textos incoerentes e repletos de erros. Eu, graças aos meus paizinhos – que assim me fizeram – e a esta minha mania de usar o cérebro (raio de feitio!), pelo menos não assassino diariamente a língua materna. É que isto de escrever em espaços públicos não é bem o que parece. Convém, efectivamente, saber escrever. Não saber distinguir “há” de “à” ou escrever “pais” em vez de “país” é desculpável quando temos 5 anos. Se querem fazer boa figura com as vossas críticas, pelo menos façam-no em português correcto. Ignorantes, nós…? Está bem, abelha.

Por fim, gostava só que me tirassem umas dúvidas… É crime querer trabalhar na área para a qual estudámos? É crime querer permanecer e criar carreira onde nascemos, não acreditando - ainda - que a única solução será abandonar as raízes? É crime dizer publicamente que não estamos bem assim? Então se é, podem colocar-me as algemas, se fazem favor. Culpada me declaro.

segunda-feira, 14 de março de 2011

E tanto que se pode dizer em sete linhas.

Eu ia falar da (não) declaração do PM ao país, ou mesmo da redução do IVA aplicado ao golf - esse bem de primeira necessidade e desporto de massas que tanto faz mexer o nosso portugalito -, mas não consigo. Cada vez que tento, dá-me um nó no cérebro, os dedos não obedecem e não digitam o texto.

Assim sendo... Pronto... Só dizer que há senhoras que não têm noção nenhuma e que acham que, aos 40, vestir roupas de 20 é giro. Não é. É só ridículo, está bem?
Então, adeus.

domingo, 13 de março de 2011

É isto tudo. Sem tirar nem pôr.

"Há amigos que tenho na 'vida real' ou pessoas com quem até falo frequentemente cujos pedidos de amizade no facebook eu não aceito. Tenho direito a decidir quem quero no facebook e não sinto necessidade de aceitar só para parecer bem."

E que bem que me soube perceber que há mais quem partilhe, e compreenda, os meus argumentos.

sábado, 12 de março de 2011

Da manifestação...

E superando em larga escala todas as expectativas, até mesmo dos próprios jovens, os números avançados pela generalidade da comunicação social sugerem perto de 300 mil pessoas. 300 mil pessoas descontentes com o desemprego e a precariedade laboral que assolam o país, que fizeram questão de o mostrar como há muito não se fazia neste canto à beira-mar plantado. Faço uma sincera vénia a todos aqueles que esta tarde elevaram cartazes e clamaram palavras de ordem em defesa de uma geração que também é a minha. 
Achei extraordinariamente interessante ver que foram várias as gerações que saíram à rua, e não só aquela que promoveu a manifestação nas redes sociais. Gostei especialmente de saber que novos e velhos se fizeram ver e ouvir cívica e educadamente, dando uma bofetada de luva branca a todos quantos esperavam tumultos e detenções.
Eu não estive lá. Podia enumerar umas quantas razões para não o ter feito mas a verdade é só uma… Falta de fé. Por mais que eu também esteja desmotivada, que o estou  – só quem passa pelo desemprego sabe como dói acordar todos os dias sem ter nada para fazer, o permanente sentimento de inutilidade é dilacerante -, sei que a manifestação de hoje nada irá mudar. O governo olha para o lado e assobia, como vem sendo hábito, e todos os que hoje gritaram por um futuro melhor amanhã vão continuar desempregados, com trabalhos precários ou a fazer estágios profissionais que mais não são que um balão de oxigénio com curto prazo de validade.
E o que eu gostava de estar enganada. O que eu gostava que, daqui a 20 ou 30 anos, os mais novos estudassem nas aulas de história o 12 de Março de 2011 como a data histórica em que um protesto nacional serviu de motor à mudança. O que eu gostava…

Cinto? Mas qual cinto?

Portanto, mais umas medidas de consolidação orçamental - vulgo austeridade - para animar a malta, não é? Pois que sim, que era mesmo aquilo que nós queríamos ouvir. Há lá coisa melhor?? Claro que não.
Acho o timing quase perfeito. Dois dias depois de o PR, na sua tomada de posse, ter gritado aos sete ventos que o governo não pode pedir mais sacrifícios aos portugueses e um dia antes da manifestação da já conhecida Geração à Rasca. Acho que, no mínimo, é estar a pedi-las...
Portanto, há medidas previstas na saúde, nas transferências do Estado para outros subsectores e nas contribuições sociais, entre outras áreas. A mais comentada hoje, sendo também aquela que mais me salta à vista, é o congelamento das pensões na função pública e a contribuição especial que será aplicada a pensões acima dos 1500 euros. Acho particular graça à expressão "contribuição especial".  O "especial" dá ali um toque de requinte, sei lá. À primeira vista, leva a pensar que as pessoas abrangidas são especiais, não é? Pois, mas não... Não é por aí. (E pergunto eu... Mas essas pessoas não contribuíram já com descontos durante toda a vida activa? Contribuição especial porquê?)  
Eu gostava era de ver a malta do governo a ter os tom@tes no sítio uma vez que fosse  e a abdicar dos ordenados indecorosos em prol da consolidação orçamental. Falar da fome dos outros, quando se tem a barriga cheia, não apresenta grandes dificuldades, de facto... É o habitual. (Desculpem a linguagem mas há assuntos que me ligam automaticamente a via do calão, é mais forte do que eu. Isso e não conseguir escrever governo com 'g' maiúsculo. É que a inicial maiúscula, além de servir para evidenciar nomes próprios, confere aquele ar repeitoso à palavra... O meu cérebro não consegue processar essa merd@ - oops! mais uma asneira.)

E o que mais virá por aí? Começo a ter medo, muito medo. É que eu tenho ali um miolo de camarão congelado - comprado em promoção no Natal passado - e qualquer dia o governo decreta que o camarão é um bem de luxo e que quem possui camarão em casa passa a pagar uma taxa especial para ajudar no combate ao défice e é uma chatice. Depois as minhas quiches de camarão, como é? Ou a minha massada de peixe - coisa boa -, que só faz sentido se tiver lá esse tipo de crustáceo? Ah pois...
E tenho cá para mim que os Censos são uma excelente ferramenta para nos descobrirem "as carecas" e virem depois cobrar por isso. Sim sim, que no meio das 3500 questões dos questionários está escondido o objectivo de perceber, por exemplo, quem toma banho todos os dias. "Com que então você gasta água para tomar banho mais que três vezes por semana? Muito bem, está multado. E ainda por cima toma banho de água quente?! Olha, este tem a mania que é lorde... Portanto, o seu ordenado vai sofrer um corte de 70%, que é para não se armar em esperto." 
O objectivo de a malta deixar de andar de carro está já a ser conseguido aos poucos. Aos preços a que estão os combustíveis, vamos começar a vender os carros e fazemos a economia mexer desenfreadamente, tal e qual um cão com pulgas.
Os órgãos de comunicação também serão prejudicados com mais este rol de medidas fofinhas. Senão, vejamos a SIC com o The Biggest Loser - versão tuga. Os concorrentes não vão ter dinheiro para comer e quando começar o programa já não serão obesos. Depois a tia Júlia como é que se desenrasca? Um problema, é o que é.

E vou ficar-me por aqui. É que este é daqueles temas que me faz inchar as veias do pescoço e me provoca pontadas nos rins. O melhor é ir dormir, até porque amanhã tenho que dar o meu contributo ao Estado, indo às minhas maravilhosas aulas de mestrado (esse passo tão importante para ser uma desempregada altamente instruída).

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tal e qual.

"Há muitas pessoas com mais talento do que eu, que não estão a fazer o que eu faço. Porquê? Por falta de sorte, talvez". Foi desta forma que o Nicolau Breyner terminou a entrevista que passou há pouco na RTP2. E tanto que eu concordo com ele. Tem que haver dom, tem que se nascer para a coisa, mas se não houver sorte (pouca que seja) o caminho já está parcialmente vedado. Justo ou não, é assim que funciona.

Das amizades e coisas...

Sou assim desde que me lembro. Não me é fácil gostar de alguém, não me é simples chamar amigo a alguém. Até prova em contrário, as pessoas são falsas, não gostam de mim e se se aproximam é porque estão a preparar alguma. (Exagerado? Talvez seja, nem toda a gente tem má índole, eu sei... Mas adiante.)
Contam-se pelos dedos de uma mão os amigos que tenho, aqueles que sei que estão lá aconteça o que acontecer. Mas esses ficam logo com um pedaço de mim. Costumo dizer que não gosto de muitas pessoas, mas de quem gosto, gosto mesmo muito. Eu não sei ser de outra maneira, só me faz sentido se for assim. Não se pode gostar hoje muito de um amigo e amanhã gostar menos. Tal como em quase tudo na vida, para mim o meio termo não existe nisto das amizades. Ou se gosta ou não se gosta. Ou se é amigo ou não se é, não existem "mais ou menos amigos". Obviamente que já deixei de me dar com algumas pessoas, mas isso não era amizade, era qualquer outra coisa cujo nome não me ocorre agora.

Assim como a distância não pode ser a razão para o final de uma ligação. Leva ao afastamento físico, claro que sim, mas não acaba com sentimentos. E se eu sei do que falo... Duas das minhas pessoas preferidas vivem a mais de 200 kms de mim (chuif chuif..). Estou com elas, em média, duas vezes por ano mas, curiosamente, são essas duas pessoas que levam os meus maiores abraços, aqueles que de tão sinceros que são até irritam. São aquelas pessoas com quem não falo durante meses e a quem me esqueço de responder às mensagens mas que com uma linha de conversa no facebook percebem automaticamente se estou bem ou nem tanto assim. Apesar de os abraços e as conversas rarearem, aquelas pessoas continuam a ser parte de mim e não imagino que algum dia possa ser de outra forma. Porque gostei delas desde o dia em que as conheci e se assim foi, não pode ter sido em vão. 

Bem e tudo isto para chegar aqui... Quando se trata de amigos, mesmo que me desiludam, eu não consigo deixar de gostar. Desculpo tudo e  caio várias vezes nos mesmos erros. Mesmo que no momento diga uns quantos palavrões, na mensagem ou no telefonema seguinte a coisa já passou. Continuo a acreditar que a vida trata das coisas por si só e que, se não me tira aos poucos essas pessoas, é porque está escrito que elas têm que fazer parte da minha história. Mas só com esses - os amigos -, com conhecidos a conversa é outra e à primeira escorregadela está tudo perdido.


(E pronto, foi o post lamechas do ano. De vez em quando tem que ser, que afinal de contas eu sou gaja e nisto de ser gaja há uma alínea que obriga a uma taxa anual de lamechice, como toda a gente sabe.)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Acabou?

Já podemos deixar de ouvir músicas brasileiras pirosas, já? E deixarmos de fingir que somos um povo feliz da vida com o samba no pé, também pode ser?
Pronto, então vamos lá guardar as saias de folhos, as perucas verde alface e os fatos de urso no armário, que para o ano têm mais três dias para essa grande rambóia que é o entrudo.

terça-feira, 8 de março de 2011

Alguém me explica, por favor?

Eu ando aqui a conter-me há dois dias para não falar do festival e dos Homens da Luta mas não dá, tenho mesmo que escrevinhar sobre isso.
Eu acho que preciso de ajuda para perceber algumas coisas nesta vida. Este caso é um exemplo desses. Então vamos cá ver... Os combustíveis estão em níveis nunca antes vistos, o desemprego neste país está com números assustadores, temos um comandante operacional do Comando Nacional de Operações e Socorro da Protecção Civil suspenso de funções por suspeitas de ter arrecadado (de forma ilícita, claro) milhares de euros, temos todas as semanas barracas com a Segurança Social ou com os tribunais, temos eleições presidenciais nas quais - oops! - um problema informático impede eleitores de votar... Mas o que preocupa meio Portugal é o facto de os Homens da Luta irem representar o país na Eurovisão???
Pelo amor da santa, não me lixem, que eu qualquer dia tenho um problema sério de saúde à conta de tanta parvoíce. Eu quero lá saber quem é que vai cantar na Alemanha ou se o país vai passar má imagem lá fora (agora a sério, mas alguém ainda acredita que a nossa imagem é boa no estrangeiro?). O que eu sei é que há anos que ninguém quer saber do festival para nada - e, aliás, a Eurovisão hoje em dia não tem a importância que teve outrora - e, de repente, deu para toda a gente se lembrar que aquilo ainda existe.
Porra, Portugal participa no festival desde 1964 (só tendo falhado três edições desde então) e, como é do senso comum, os resultados nunca foram brilhantes. Tivemos uns bonitos 0 pontos por duas vezes e nem sequer passámos da semi-final por quatro anos consecutivos. Nomes sonantes (e que - atenção - eu respeito) como Simone de Oliveira e Paulo de Carvalho conseguiram apenas 1 e 3 pontos, respectivamente. Aquilo, em bem da verdade, não confere mais nem menos importância aos países que participam, e muito menos a quem lá pisa o palco.

Isto para dizer que, de facto, não consigo perceber todo o alarido que está a ser feito à volta deste assunto, quando existem coisas realmente graves e importantes a acontecer por terras lusas. Que mania que os portugueses têm de se preocupar apenas com as coisas menores. Irrita-me um bocado, isso.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Vai uma aposta...

...Que este blogue será o único onde não se vai falar dos Óscares?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A acefalia, por vezes, choca-me. Outras vezes, apenas me diverte.

Ainda não há no Facebook um grupo de apoio ao recluso que foi imobilizado com uma arma eléctrica? Fico extremamente desiludida, a sério que fico.
Adoro a hipocrisia dos tugas, acérrimos defensores dos criminosos. "Ai coitadinho do criminoso, que foi agredido..." Epá, desculpem lá ser eu a dar-vos a novidade mas aquilo é uma prisão, não é um hotel onde os meninos maus vão passar férias. Acima de tudo, aquele é um espaço que, como tantos outros, tem regras e disciplina. Regras essas que, ao que tudo indica, aquele indivíduo desrespeitava há várias semanas. Já para não referir o perigo para a saúde dos restantes reclusos, bem como dos guardas prisionais, que estava implícito no comportamento do homem.

Para mais, ao visionar as imagens, o que vejo é um homem a ser paralisado com uma arma, cujo uso, dizem, está previsto no Código de Execução das Penas. Os elementos do GISP tratam-no por 'você', ninguém lhe bate e no final passam-no para uma cela lavadinha. (Mas como eu sou míope, o problema pode ser meu, admito. Engraçado é que, apesar de a minha visão ser claramente insuficiente, no vídeo consigo também vislumbrar uma cela imunda, repleta de restos de comida misturados com excrementos do recluso. Cenário deliberadamente criado pela... Vítima... É vítima, não é?)

E, entretanto, posso só recordar que aquele homem está preso por ser criminoso? E que é tido como um recluso violento e desobediente? E que todos vocês pagam para ele estar lá a encher as paredes de cocó, achando-se no pleno direito de fazer o que lhe apetece?
Acho, portanto, estupendo que se levantem vozes em defesa do "coitadinho"...  Aliás, eu própria estou cheia de pena e dou por mim, inclusive, a lacrimejar. Só buscar ali um lencinho de papel...
A sério, não acho nada que o homem tenha sido brutalizado. E, muito mais que as imagens, choca-me é o facto de haver pessoas que o vêem como uma vítima. É por esta mentalidade que o nosso país é uma maravilha para se ser criminoso.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A magia da cozinha

Há dias em que, efectivamente, eu devia ficar o tempo todo a dormir, para não me irritar. Hoje foi um desses dias.
Assim sendo, e porque toda a gente sabe que ir para a cozinha é um eficaz antídoto para a ira, resolvi fazer umas belas entradas de pão pita com mozzarella, alho e orégãos. 5 minutos no forno e está feito. (Entradas é uma maneira de dizer, tendo em conta que isto foi lá pelas 19h30 e só jantei às 23h00...)