quarta-feira, 16 de março de 2011

Quando me dá para aqui é um problema

Visto que cada vez mais pessoas têm vindo a deixar clara a sua opinião em relação à chamada "Geração à Rasca", onde eu acabo por me inserir também, é chegado o momento de responder a todos os que andam para aí a acusar-me (e a outros tantos) de não ter trabalho por vontade própria.

Primeiro ponto: não entendo qual é a necessidade de ofender ou promover choques de gerações tendo por base uma crise que, com mais ou menos intensidade, acaba por tocar a todos. E esse argumento do "ah e tal porque as gerações dos nossos pais e dos nossos avós é que andaram à rasca muito tempo" não me convence. É óbvio que em todas as gerações há dificuldades (e para perceber isso não é preciso ser um grande estudioso). As gerações anteriores também travaram as suas lutas e merecem todo o mérito por isso. Mas então porque é que nós não podemos reclamar daquilo que, aos nossos olhos, está menos bem nos dias de hoje? Os nossos ascendentes não lutaram pela liberdade de expressão e pela democracia? Óptimo - obrigada a todos, é graças a vocês que eu hoje posso escrever este texto - mas agora deixem-nos lutar por algo a que também temos direito... Um trabalho e, já agora, que seja condignamente pago.
E para quem diz que os mais velhos não se queixavam, aqui vai uma novidade: claro que se queixavam, a insatisfação é inata ao ser humano, vamos sempre querer mais ou melhor do que temos. A diferença é que, no tempo dos nossos pais e avós, não havia possibilidade – ou sequer ferramentas - para mostrar publicamente o descontentamento. Estamos esclarecidos?

Segundo ponto: nas palavras dos críticos ferozes, que apontam o dedo àqueles que se queixam, é notório que falam do alto de um emprego - bom ou mau, pelo menos têm trabalho - e o desprezo com que olham para os jovens desempregados denota que, das duas uma… Ou nunca tiveram que lutar por nada ou são mesmo só más pessoas.

Mas também gosto muito que digam que nós apenas nos disfarçamos de vítimas, pois, na verdade, gostamos de estar dependentes dos pais para gastar a mesada em festivais e roupas de marca. Ora, deixa cá ver… Há anos que não vou a um concerto; desde que fiquei novamente desempregada – há cinco meses – que não compro uma peça de roupa – ah! esse grande luxo que é comprar uma peça de roupa! -; o meu carro só anda porque os meus pais subsidiam as idas ao outro lado da fronteira para abastecer, assim como generosamente carregam o meu telemóvel e pagam as propinas do mestrado. Realmente, quem é que não gosta de viver assim, dependente? Ai ai... Vá lá perceber-se esta juventude…

E também não gostamos de trabalhar, não é? Pois, haverá gente que se sente bem assim, não duvido. Eu não admito é que me falem numa generalidade que não existe e, acima de tudo, na qual eu não me insiro. Eu já trabalhei de borla, só pelo gosto no que fazia e por acreditar que nada é em vão; já tive trabalhos precários e fui deixando andar porque afinal “mais vale ter um mau do que não ter nada”; assim como fiz estágios curriculares sem me queixar e tal como, desde há três meses, me levanto da cama às 05h00, se necessário for, para acompanhar profissionais da minha área em serviço sem receber qualquer remuneração. Só para poder aprender um pouco mais e não me sentir tão inútil. Se isto é não querer trabalhar, eu não sei que dizer mais…

Dizem ainda os críticos dos mais novos que nós saímos todos os fins-de-semana e gastamos um balúrdio em bebedeiras, não é? Epá, eu gostava muito que isso fosse a minha vida, de facto. Se essas pessoas quiserem financiar as minhas saídas à noite, é com todo o gosto que passo a fazer isso. Podemos falar sobre isso um dia destes, está bem? E nem é preciso pagarem-me bebidas brancas, que eu cá contento-me com umas cervejinhas – olha lá, simpática que sou.

Terceiro e último ponto: as vossas críticas, que com muito apreço tenho lido, têm também um carácter cómico e, só por isso, já merecem uma salva de palmas, que eu sou uma pessoa que gosta muito de rir. Passo a explicar… Acho extraordinário que alguém me critique, dizendo que esta é uma geração de ignorantes, e o faça através de textos incoerentes e repletos de erros. Eu, graças aos meus paizinhos – que assim me fizeram – e a esta minha mania de usar o cérebro (raio de feitio!), pelo menos não assassino diariamente a língua materna. É que isto de escrever em espaços públicos não é bem o que parece. Convém, efectivamente, saber escrever. Não saber distinguir “há” de “à” ou escrever “pais” em vez de “país” é desculpável quando temos 5 anos. Se querem fazer boa figura com as vossas críticas, pelo menos façam-no em português correcto. Ignorantes, nós…? Está bem, abelha.

Por fim, gostava só que me tirassem umas dúvidas… É crime querer trabalhar na área para a qual estudámos? É crime querer permanecer e criar carreira onde nascemos, não acreditando - ainda - que a única solução será abandonar as raízes? É crime dizer publicamente que não estamos bem assim? Então se é, podem colocar-me as algemas, se fazem favor. Culpada me declaro.

segunda-feira, 14 de março de 2011

E tanto que se pode dizer em sete linhas.

Eu ia falar da (não) declaração do PM ao país, ou mesmo da redução do IVA aplicado ao golf - esse bem de primeira necessidade e desporto de massas que tanto faz mexer o nosso portugalito -, mas não consigo. Cada vez que tento, dá-me um nó no cérebro, os dedos não obedecem e não digitam o texto.

Assim sendo... Pronto... Só dizer que há senhoras que não têm noção nenhuma e que acham que, aos 40, vestir roupas de 20 é giro. Não é. É só ridículo, está bem?
Então, adeus.

domingo, 13 de março de 2011

É isto tudo. Sem tirar nem pôr.

"Há amigos que tenho na 'vida real' ou pessoas com quem até falo frequentemente cujos pedidos de amizade no facebook eu não aceito. Tenho direito a decidir quem quero no facebook e não sinto necessidade de aceitar só para parecer bem."

E que bem que me soube perceber que há mais quem partilhe, e compreenda, os meus argumentos.

sábado, 12 de março de 2011

Da manifestação...

E superando em larga escala todas as expectativas, até mesmo dos próprios jovens, os números avançados pela generalidade da comunicação social sugerem perto de 300 mil pessoas. 300 mil pessoas descontentes com o desemprego e a precariedade laboral que assolam o país, que fizeram questão de o mostrar como há muito não se fazia neste canto à beira-mar plantado. Faço uma sincera vénia a todos aqueles que esta tarde elevaram cartazes e clamaram palavras de ordem em defesa de uma geração que também é a minha. 
Achei extraordinariamente interessante ver que foram várias as gerações que saíram à rua, e não só aquela que promoveu a manifestação nas redes sociais. Gostei especialmente de saber que novos e velhos se fizeram ver e ouvir cívica e educadamente, dando uma bofetada de luva branca a todos quantos esperavam tumultos e detenções.
Eu não estive lá. Podia enumerar umas quantas razões para não o ter feito mas a verdade é só uma… Falta de fé. Por mais que eu também esteja desmotivada, que o estou  – só quem passa pelo desemprego sabe como dói acordar todos os dias sem ter nada para fazer, o permanente sentimento de inutilidade é dilacerante -, sei que a manifestação de hoje nada irá mudar. O governo olha para o lado e assobia, como vem sendo hábito, e todos os que hoje gritaram por um futuro melhor amanhã vão continuar desempregados, com trabalhos precários ou a fazer estágios profissionais que mais não são que um balão de oxigénio com curto prazo de validade.
E o que eu gostava de estar enganada. O que eu gostava que, daqui a 20 ou 30 anos, os mais novos estudassem nas aulas de história o 12 de Março de 2011 como a data histórica em que um protesto nacional serviu de motor à mudança. O que eu gostava…

Cinto? Mas qual cinto?

Portanto, mais umas medidas de consolidação orçamental - vulgo austeridade - para animar a malta, não é? Pois que sim, que era mesmo aquilo que nós queríamos ouvir. Há lá coisa melhor?? Claro que não.
Acho o timing quase perfeito. Dois dias depois de o PR, na sua tomada de posse, ter gritado aos sete ventos que o governo não pode pedir mais sacrifícios aos portugueses e um dia antes da manifestação da já conhecida Geração à Rasca. Acho que, no mínimo, é estar a pedi-las...
Portanto, há medidas previstas na saúde, nas transferências do Estado para outros subsectores e nas contribuições sociais, entre outras áreas. A mais comentada hoje, sendo também aquela que mais me salta à vista, é o congelamento das pensões na função pública e a contribuição especial que será aplicada a pensões acima dos 1500 euros. Acho particular graça à expressão "contribuição especial".  O "especial" dá ali um toque de requinte, sei lá. À primeira vista, leva a pensar que as pessoas abrangidas são especiais, não é? Pois, mas não... Não é por aí. (E pergunto eu... Mas essas pessoas não contribuíram já com descontos durante toda a vida activa? Contribuição especial porquê?)  
Eu gostava era de ver a malta do governo a ter os tom@tes no sítio uma vez que fosse  e a abdicar dos ordenados indecorosos em prol da consolidação orçamental. Falar da fome dos outros, quando se tem a barriga cheia, não apresenta grandes dificuldades, de facto... É o habitual. (Desculpem a linguagem mas há assuntos que me ligam automaticamente a via do calão, é mais forte do que eu. Isso e não conseguir escrever governo com 'g' maiúsculo. É que a inicial maiúscula, além de servir para evidenciar nomes próprios, confere aquele ar repeitoso à palavra... O meu cérebro não consegue processar essa merd@ - oops! mais uma asneira.)

E o que mais virá por aí? Começo a ter medo, muito medo. É que eu tenho ali um miolo de camarão congelado - comprado em promoção no Natal passado - e qualquer dia o governo decreta que o camarão é um bem de luxo e que quem possui camarão em casa passa a pagar uma taxa especial para ajudar no combate ao défice e é uma chatice. Depois as minhas quiches de camarão, como é? Ou a minha massada de peixe - coisa boa -, que só faz sentido se tiver lá esse tipo de crustáceo? Ah pois...
E tenho cá para mim que os Censos são uma excelente ferramenta para nos descobrirem "as carecas" e virem depois cobrar por isso. Sim sim, que no meio das 3500 questões dos questionários está escondido o objectivo de perceber, por exemplo, quem toma banho todos os dias. "Com que então você gasta água para tomar banho mais que três vezes por semana? Muito bem, está multado. E ainda por cima toma banho de água quente?! Olha, este tem a mania que é lorde... Portanto, o seu ordenado vai sofrer um corte de 70%, que é para não se armar em esperto." 
O objectivo de a malta deixar de andar de carro está já a ser conseguido aos poucos. Aos preços a que estão os combustíveis, vamos começar a vender os carros e fazemos a economia mexer desenfreadamente, tal e qual um cão com pulgas.
Os órgãos de comunicação também serão prejudicados com mais este rol de medidas fofinhas. Senão, vejamos a SIC com o The Biggest Loser - versão tuga. Os concorrentes não vão ter dinheiro para comer e quando começar o programa já não serão obesos. Depois a tia Júlia como é que se desenrasca? Um problema, é o que é.

E vou ficar-me por aqui. É que este é daqueles temas que me faz inchar as veias do pescoço e me provoca pontadas nos rins. O melhor é ir dormir, até porque amanhã tenho que dar o meu contributo ao Estado, indo às minhas maravilhosas aulas de mestrado (esse passo tão importante para ser uma desempregada altamente instruída).

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tal e qual.

"Há muitas pessoas com mais talento do que eu, que não estão a fazer o que eu faço. Porquê? Por falta de sorte, talvez". Foi desta forma que o Nicolau Breyner terminou a entrevista que passou há pouco na RTP2. E tanto que eu concordo com ele. Tem que haver dom, tem que se nascer para a coisa, mas se não houver sorte (pouca que seja) o caminho já está parcialmente vedado. Justo ou não, é assim que funciona.

Das amizades e coisas...

Sou assim desde que me lembro. Não me é fácil gostar de alguém, não me é simples chamar amigo a alguém. Até prova em contrário, as pessoas são falsas, não gostam de mim e se se aproximam é porque estão a preparar alguma. (Exagerado? Talvez seja, nem toda a gente tem má índole, eu sei... Mas adiante.)
Contam-se pelos dedos de uma mão os amigos que tenho, aqueles que sei que estão lá aconteça o que acontecer. Mas esses ficam logo com um pedaço de mim. Costumo dizer que não gosto de muitas pessoas, mas de quem gosto, gosto mesmo muito. Eu não sei ser de outra maneira, só me faz sentido se for assim. Não se pode gostar hoje muito de um amigo e amanhã gostar menos. Tal como em quase tudo na vida, para mim o meio termo não existe nisto das amizades. Ou se gosta ou não se gosta. Ou se é amigo ou não se é, não existem "mais ou menos amigos". Obviamente que já deixei de me dar com algumas pessoas, mas isso não era amizade, era qualquer outra coisa cujo nome não me ocorre agora.

Assim como a distância não pode ser a razão para o final de uma ligação. Leva ao afastamento físico, claro que sim, mas não acaba com sentimentos. E se eu sei do que falo... Duas das minhas pessoas preferidas vivem a mais de 200 kms de mim (chuif chuif..). Estou com elas, em média, duas vezes por ano mas, curiosamente, são essas duas pessoas que levam os meus maiores abraços, aqueles que de tão sinceros que são até irritam. São aquelas pessoas com quem não falo durante meses e a quem me esqueço de responder às mensagens mas que com uma linha de conversa no facebook percebem automaticamente se estou bem ou nem tanto assim. Apesar de os abraços e as conversas rarearem, aquelas pessoas continuam a ser parte de mim e não imagino que algum dia possa ser de outra forma. Porque gostei delas desde o dia em que as conheci e se assim foi, não pode ter sido em vão. 

Bem e tudo isto para chegar aqui... Quando se trata de amigos, mesmo que me desiludam, eu não consigo deixar de gostar. Desculpo tudo e  caio várias vezes nos mesmos erros. Mesmo que no momento diga uns quantos palavrões, na mensagem ou no telefonema seguinte a coisa já passou. Continuo a acreditar que a vida trata das coisas por si só e que, se não me tira aos poucos essas pessoas, é porque está escrito que elas têm que fazer parte da minha história. Mas só com esses - os amigos -, com conhecidos a conversa é outra e à primeira escorregadela está tudo perdido.


(E pronto, foi o post lamechas do ano. De vez em quando tem que ser, que afinal de contas eu sou gaja e nisto de ser gaja há uma alínea que obriga a uma taxa anual de lamechice, como toda a gente sabe.)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Acabou?

Já podemos deixar de ouvir músicas brasileiras pirosas, já? E deixarmos de fingir que somos um povo feliz da vida com o samba no pé, também pode ser?
Pronto, então vamos lá guardar as saias de folhos, as perucas verde alface e os fatos de urso no armário, que para o ano têm mais três dias para essa grande rambóia que é o entrudo.

terça-feira, 8 de março de 2011

Alguém me explica, por favor?

Eu ando aqui a conter-me há dois dias para não falar do festival e dos Homens da Luta mas não dá, tenho mesmo que escrevinhar sobre isso.
Eu acho que preciso de ajuda para perceber algumas coisas nesta vida. Este caso é um exemplo desses. Então vamos cá ver... Os combustíveis estão em níveis nunca antes vistos, o desemprego neste país está com números assustadores, temos um comandante operacional do Comando Nacional de Operações e Socorro da Protecção Civil suspenso de funções por suspeitas de ter arrecadado (de forma ilícita, claro) milhares de euros, temos todas as semanas barracas com a Segurança Social ou com os tribunais, temos eleições presidenciais nas quais - oops! - um problema informático impede eleitores de votar... Mas o que preocupa meio Portugal é o facto de os Homens da Luta irem representar o país na Eurovisão???
Pelo amor da santa, não me lixem, que eu qualquer dia tenho um problema sério de saúde à conta de tanta parvoíce. Eu quero lá saber quem é que vai cantar na Alemanha ou se o país vai passar má imagem lá fora (agora a sério, mas alguém ainda acredita que a nossa imagem é boa no estrangeiro?). O que eu sei é que há anos que ninguém quer saber do festival para nada - e, aliás, a Eurovisão hoje em dia não tem a importância que teve outrora - e, de repente, deu para toda a gente se lembrar que aquilo ainda existe.
Porra, Portugal participa no festival desde 1964 (só tendo falhado três edições desde então) e, como é do senso comum, os resultados nunca foram brilhantes. Tivemos uns bonitos 0 pontos por duas vezes e nem sequer passámos da semi-final por quatro anos consecutivos. Nomes sonantes (e que - atenção - eu respeito) como Simone de Oliveira e Paulo de Carvalho conseguiram apenas 1 e 3 pontos, respectivamente. Aquilo, em bem da verdade, não confere mais nem menos importância aos países que participam, e muito menos a quem lá pisa o palco.

Isto para dizer que, de facto, não consigo perceber todo o alarido que está a ser feito à volta deste assunto, quando existem coisas realmente graves e importantes a acontecer por terras lusas. Que mania que os portugueses têm de se preocupar apenas com as coisas menores. Irrita-me um bocado, isso.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Vai uma aposta...

...Que este blogue será o único onde não se vai falar dos Óscares?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A acefalia, por vezes, choca-me. Outras vezes, apenas me diverte.

Ainda não há no Facebook um grupo de apoio ao recluso que foi imobilizado com uma arma eléctrica? Fico extremamente desiludida, a sério que fico.
Adoro a hipocrisia dos tugas, acérrimos defensores dos criminosos. "Ai coitadinho do criminoso, que foi agredido..." Epá, desculpem lá ser eu a dar-vos a novidade mas aquilo é uma prisão, não é um hotel onde os meninos maus vão passar férias. Acima de tudo, aquele é um espaço que, como tantos outros, tem regras e disciplina. Regras essas que, ao que tudo indica, aquele indivíduo desrespeitava há várias semanas. Já para não referir o perigo para a saúde dos restantes reclusos, bem como dos guardas prisionais, que estava implícito no comportamento do homem.

Para mais, ao visionar as imagens, o que vejo é um homem a ser paralisado com uma arma, cujo uso, dizem, está previsto no Código de Execução das Penas. Os elementos do GISP tratam-no por 'você', ninguém lhe bate e no final passam-no para uma cela lavadinha. (Mas como eu sou míope, o problema pode ser meu, admito. Engraçado é que, apesar de a minha visão ser claramente insuficiente, no vídeo consigo também vislumbrar uma cela imunda, repleta de restos de comida misturados com excrementos do recluso. Cenário deliberadamente criado pela... Vítima... É vítima, não é?)

E, entretanto, posso só recordar que aquele homem está preso por ser criminoso? E que é tido como um recluso violento e desobediente? E que todos vocês pagam para ele estar lá a encher as paredes de cocó, achando-se no pleno direito de fazer o que lhe apetece?
Acho, portanto, estupendo que se levantem vozes em defesa do "coitadinho"...  Aliás, eu própria estou cheia de pena e dou por mim, inclusive, a lacrimejar. Só buscar ali um lencinho de papel...
A sério, não acho nada que o homem tenha sido brutalizado. E, muito mais que as imagens, choca-me é o facto de haver pessoas que o vêem como uma vítima. É por esta mentalidade que o nosso país é uma maravilha para se ser criminoso.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A magia da cozinha

Há dias em que, efectivamente, eu devia ficar o tempo todo a dormir, para não me irritar. Hoje foi um desses dias.
Assim sendo, e porque toda a gente sabe que ir para a cozinha é um eficaz antídoto para a ira, resolvi fazer umas belas entradas de pão pita com mozzarella, alho e orégãos. 5 minutos no forno e está feito. (Entradas é uma maneira de dizer, tendo em conta que isto foi lá pelas 19h30 e só jantei às 23h00...)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

E trabalhar? Não?

Eu, de facto, fico parva com as coisas que se passam neste país. Então o António - vencedor da Casa dos Segredos - abriu uma conta bancária para os portugueses depositarem dinheiro para ele comprar uma quinta? E, claro, isso com o empurrãozinho da criação de um grupo no facebook intitulado "Ajudar à compra da quinta do antónio". Eu fiz questão de ler três vezes a notícia para me certificar que aquilo que os meus olhos liam era verdade. 
É preciso muita lata para esta malta, aproveitando-se do estatutozinho que alcança num reality show, vir  lamuriar-se para os jornais porque já gastou o dinheiro do prémio. Olha, temos pena. Desgraçadas são as pessoas que, apesar de trabalharem, não têm comida para pôr no prato dos filhos porque recebem uma miséria de ordenado. Desgraçados são aqueles que, por esta ou aquela razão, perderam tudo na vida e dormem ao relento. 
Isto é mesmo espectacular. Se vira moda, rapidamente teremos dondocas a abrir contas para os tugas as ajudarem a comprar mais um vestidinho ou a pagar mais uma viagem.
E o melhor de tudo? É que eu tenho a certeza absoluta que há pessoas que vão mesmo tirar das suas reformas para dar ao pastor... E isso é lamentável.


 
Epá, já agora, eu também tenho um sonho... É ter uma casinha modesta, com piscina. Pode ser num condomínio privado e luxuoso. Um T7 serve perfeitamente, que eu cá não sou pessoa de pedir muito. Para completar, era também receber uns 5 mil euros por mês.
Se eu criar um grupo no facebook será que também me ajudam?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Que tédio

Blherc!
Não gosto de domingos. Não gosto de não ter nada para fazer aos domingos. Não gosto que chova nos domingos em que não tenho nada para fazer.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

100 inutilidades


É pouco, sim senhora. Mas é um número bonito. É a centésima inutilidade aqui publicada. Venham mais cem!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Como disse...?

Eu não sei se já disse aqui que me irrita que falem por mim, que tentem adivinhar-me os pensamentos e por aí fora. Ora, um cronista social (?) vem para aí numa revista dizer que, e passo a citar, "não há uma única pessoa que não goste e que não se tenha emocionado com as lágrimas da Conceição Lino logo na primeira emissão". Hum... Errado, meu caro. Muito errado. Quer uma novidade? Há, de facto, pessoas que não acham piada ao programa e que, acima de tudo, não se emocionam para aí assim. Portanto, em próximas crónicas e afins, é ter atenção àquilo que se escreve. Afirmar que muita gente gosta do programa é aceitável. Dizer que não há ninguém que não goste, já me parece um bocado dado ao exagero.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

E agora... "Que Esperto Que Eu Sou"


Aí está a novíssima versão da "Que Parva Que Eu Sou". Os Homens da Luta, à sua boa maneira, criaram a possível resposta do Governo à música dos Deolinda...
(a versão original está aí uns posts abaixo)


Que Esperto Que Eu Sou

Sou da geração da corrupção
Violo a lei e a Constituição
Que esperto que eu sou

Sou da geração da intimidação
Eu calo jornais e a televisão
Que esperto que eu sou

Sou da geração não-me-canso-de-mais
Estou um piso acima dos comuns mortais
Que esperto que eu sou

O desinteresse social no seu melhor

Alguém que me explique, por favor,  como é que uma pessoa pode estar morta em casa durante nove anos (nove, senhores!) sem niguém dar conta. Nove anos sem a mulher abrir a porta de casa, sem ir deitar o lixo fora, sem ir buscar o correio, sem pagar contas, sem levantar a reforma... A sério, há coisas que me ultrapassam mesmo. O desinteresse e a falta de humanidade são, por si só, coisas más. Neste caso chegam a ser arrepiantes.
E as Finanças? Leiloam uma casa sem contactar ou tentar saber o que aconteceu à moradora? Que raio de história...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Luv u

O tempo não passa, voa. Parece que foi ontem aquele jantar... Passaram dois anos.
Obrigada =)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

WTF?

Mas aquela coisa do Portugal Tem Talento não tem regras? É uma rebaldaria? A questão das audiências eu entendo muito bem, que entendo. Agora um gajo com o fato-de-banho da avó a dançar como se fosse uma gaja escultural a tentar engatar os jurados? Epá... Poupem-me. Isso não é bonito, nem em televisão nem em sítio algum. Ponto final.

(E sim, claro que eu podia não ver o programa. Mas, desculpem lá, para poder falar tenho que ver.)

Oh yeah!


Hoje é um bom dia para mudar (outra vez).

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Só falta um bocadinho assim...

Esta tarde a última apresentação oral de um trabalho e segunda-feira a última entrega do semestre. Vamos lá, que é capaz de valer a pena.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Eu só precisava de dormir umas duas horitas

É bom que isto valha a pena. É que eu estou a cair de sono mas, em vez de dormir com os anjinhos, estou à volta com os trabalhos do mestrado.
Se me safar a tudo agora, fica a promessa de ser mais responsável no segundo semestre e não deixar as coisas para a última hora.

(Isto é, claramente, o discurso do desespero. Não deve ser levado muito a sério, portanto.)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Que Parva que eu sou"


Ouvir esta música dos Deolinda faz-me abanar a cabeça em sinal de concordância, como acredito que faça a outros tantos milhares neste país. Esta letra é só o retrato mais que perfeito da nossa actualidade. A minha geração e as próximas têm no futuro um enorme ponto de interrogação. E negro, muito negro.
Eu, que sou uma miúda mais perto dos 30 que dos 20, sou obrigada a ter um discurso antiquado, se assim lhe posso chamar. Empregos para a vida e a segurança implícita num diploma? Nah... Isso era há uns anos, agora já não se usa.

Com sorte, começo a fazer descontos lá para os 40, aos 50 penso em ter filhos e, tendo em conta que nessa altura a idade da reforma deve estar nos 120 anos, aos 70 estou rija para trabalhar e subir na carreira. 


(Fica aí a letra da música, só para dar um colorido à coisa.)

Que Parva que eu sou (letra)


Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.


Sou da geração 'casinha dos pais',
se já tenho tudo, para quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.


Sou da geração 'vou queixar-me para quê?'
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração 'eu já não posso mais!'
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Haja humor =)

Aaaaaiiiiii...!

Que eu me lembre, não dava uma queda pelo menos há uns quatro anos. Vai daí, há cerca de uma hora, caí nas escadas cá de casa. Não tinha nada nas mãos, não carregava uma pilha de roupa que me ocupasse o campo de visão, não pisei nenhum brinquedo da cadela. Nada. Simplesmente escorreguei (ainda estou para saber como) e experimentei uma espécie de 'sku' espectacular que me fez descer seis degraus enquanto o diabo esfrega um olho.
É assim, há quem goste de ocupar os tempos livres a cozinhar ou a fazer palavras cruzadas. Eu cá prefiro coisas mais dinâmicas. E dolorosas, vá...

domingo, 30 de janeiro de 2011

Mas o que era aquilo?

Retiram-se duas conclusões, após a estreia do Portugal Tem Talento:

1- Aparentemente, a grande condição para participar num concurso de talentos é não ter talento algum.
2- Eu podia fazer parte do júri de um concurso de pintura. Ou de qualquer outra coisa que eu não entenda.

sábado, 29 de janeiro de 2011

=)

Opá, adoro o novo anúncio do Actimel com a música do "Verão Azul". (Eu já disse que adorava a série?)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A onomástica portuguesa sempre a crescer

Portanto, como se não fosse suficiente o facto de meio Portugal falar da Lyonce Viiktórya há mais de uma semana, eis que os papás babados vêm agora à televisão explicar que a (espectacular e tão famosa) fusão afinal não mete apenas os seus nomes... A cantora Beyoncé também entra na história, por ser a artista preferida dos dois. Que bonito...
Nem quero imaginar se eles gostassem muito de uns Chave d'Ouro, de uns Scorpions ou de uns Ratos do Porão...

(Fui só eu que reparei que no berço, onde o nome da criança está gravado, o mesmo não está escrito exactamente como eles dizem que se escreve? Das duas, uma: ou o engano foi na loja, ou os papás é que se equivocaram ao fazer o registo. Obviamente, não vou dizer qual das duas eu acho mais provável, que eu cá não sou pessoa de intrigas.)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Protesto? Não. Só estupidez.

Epá, há uns bons meses que não vinha aqui escrevinhar qualquer coisa. Enfim...
E venho só para deixar escrita alguma da irritação que me tem assolado nos últimos tempos, que isto de dizer mas não escrever não tem o mesmo sabor.
Então é assim, muito sucintamente: às vezes, eu consigo mesmo sentir pena de ser portuguesa, vergonha até. Eu gosto deste país, que gosto, mas depois as pessoas têm atitudes que me cansam muito mais que a p**a da crise ou o facto de eu estar desempregada e mais umas quantas situações.
Se há coisas que não me entram na cabeça, uma delas é ver que a maioria da população simplesmente não quer saber daquilo que realmente importa. Falar de "Lyonces Viiktoryas" ou de putos transtornados que, coitadinhos, desatam para aí a matar e mutilar os namorados, toda a gente fala, mas depois mexer o rabo para ir votar numas presidenciais 'é o vais!'. Desculpem mas não entendo tanta passividade. Tudo bem que já ninguém acredite na classe política, tudo bem que as hipóteses até podiam não encher o olho a ninguém, tudo bem um monte de razões. Mas ficar em casa não pode ser a solução!
O tuga é o queixoso típico, o reclama-de-tudo-mesmo-sem-saber-de-quê, o aponta-o-dedo-ao-mais-próximo. Quando alguma coisa não lhe corre de feição, o tuga grita aos sete ventos que "temos direitos e blá blá blá" e, quando tem esses mesmos direitos, recusa-se a cumprir aquilo que de direito passa a dever, e não vai às urnas. Porra, pá! Ao menos iam para deixar o boletim em branco ou, vá lá, num rasgo de criatividade, deixar um desenho inspirador, mas iam. Faz toda a diferença, e é-me estranho que tantas pessoas não vejam isso.
E não, a abstenção não é nenhum sinal de protesto. Os votos em branco é que o são. São o sinal de eleitores descontentes com o estado do país mas que fazem questão de o mostrar, indo até à mesa de voto só para dobrar o boletim e deixá-lo assim, branco, imaculado. Se todos quantos falam mal nos cafés tivessem ido às urnas e tivessem feito o mesmo, até acredito que fosse significativo, que fizesse alguém pensar. Assim não; assim somos só aquele país de brandos costumes, com um número infinito de panhonhas que preferem deixar a coisa andar, mal ou bem, do que fazer alguma coisa.

E não é só isso. Depois ainda temos que levar com o "pronto, ganhou este outra vez". Desculpem lá mas quem não se dá ao trabalho de ir lá pôr a cruz (ou não pôr nada de todo), não tem o direito de falar. Aqueles que ficam em casa em dia de eleições só porque sim, porque está frio ou porque dói um dente, não têm direito de se queixar seja do que for. Eu tenho, que fui lá e não queria que tivesse ganho quem ganhou. Eu posso passar os próximos cinco anos a queixar-me, porque cumpri o meu dever. Um dever/direito do qual não quero prescindir. Nem hoje, nem nunca.